Projeção de alta de 62% nos valores de fretes é confirmada pelo mercado de grãos

09/03/2021

GRÁFICO FRETES ESALQ-LOG

Em recente análise realizada pelo Grupo ESALQ-LOG com base nos dados coletados pelo SIFRECA (Sistema de Informações de Fretes), a variação dos valores de frete praticados na rota de Sorriso, MT, para Rondonópolis, MT, uma das principais vias de escoamento de grãos no país, tem registrado patamar recorde no mês de fevereiro.

Os valores, que alcançaram a marca máxima de R$ 138,69/t, têm atraído caminhoneiros para a região, enquanto os demais estados também apresentam alta demanda por veículos.

O principal motivo para a situação atual do mercado foi uma janela menor de colheita nos últimos meses, já que, por razões climáticas, o plantio de soja na região do Mato Grosso foi tardio, consequentemente ocasionando uma colheita tardia. Como a região geralmente realiza o plantio e a colheita antes que os demais estados, o atraso que aconteceu neste período acarretou em um efeito cascata no mercado, uma vez que coincidiu com a movimentação de soja das demais regiões.

Os veículos, atraídos pela oferta de trabalho e altos valores de fretes, se direcionaram para o Centro-Oeste do país, resultando em pouca disponibilidade de veículos para a colheita das outras regiões. Tais fatores colaboraram para o patamar elevado observado em fevereiro, uma vez que, até o momento, o valor máximo de fretes registrados na região foi de R$ 136,31/t, no mês de julho de 2018.

Outro índice alcançado pelos fretes na região também aconteceu no início deste ano, quando a série apresentou R$ 85,46/t, menor valor registrado nos últimos anos. Antes de janeiro, o menor valor observado foi em dezembro de 2020, com fretes de R$ 86,60/t.

De acordo com os pesquisadores do ESALQ-LOG, também foi observada uma competição por veículos entre as regiões Centro-Oeste e Norte do país, que mesmo em fase inicial da colheita da soja apresentaram registro de altas nos fretes. Assim, a tendência é que os valores de frete continuem a subir, uma vez que as atividades de colheita devem se intensificar nas regiões Sul, Norte e Nordeste.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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