Produtos farmacêuticos: transporte refrigerado é desafio para cadeia do frio

30/06/2015

Quando se fala em regulamentação para transporte refrigerado de cargas no Brasil, a carga de fármacos está entre as que mais geram preocupação ao mercado. Sabe-se que existe uma demanda considerável para produtos farmacêuticos sensíveis ao calor, exigindo acondicionamento entre 15ºC e 30ºC. Outros produtos, como os hemoderivados, necessitam de ambientes extremamente gelados. E há, também, os que precisam de ambiente refrigerado, como as vacinas e insulinas, que exigem condições de temperatura entre 2ºC e 8ºC.

Os fármacos recebem bastante atenção no quesito refrigeração devido aos riscos inerentes que produtos transportados com problemas apresentam. Mesmo recebendo resoluções próprias da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, instituição preocupada em monitorar o transporte de farmacêuticos, ainda há um gap considerável de regulações que seria sanado a partir da concentração das normas em uma regulamentação única. Consequentemente, deve haver auditorias e monitoramentos em toda a cadeia do frio.
Embora a própria Anvisa requeira que o transportador tenha controle de temperatura da carga e dê dicas de boas práticas, isso não determina quais sistemas ou soluções devem ser utilizados, como um baú isolado com equipamento de refrigeração. Hoje, portanto, muitos utilizam a caixa isolada com gelo reutilizável e menos de 10% utilizam soluções confiáveis para o transporte refrigerado.
Esse cenário explica a estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que aproximadamente 25% das vacinas atingem seus destinos deterioradas, devido à quebra da cadeia do frio. De acordo com a britânica Agência Reguladora de Produtos Medicinais e de Saúde (MHRA), a maior falha está no controle da temperatura, o que causa de 30-40% das falhas, compromete a qualidade do produto e causa risco à saúde.

O transporte de fármacos no Brasil exige cuidados e atenção extras, incluindo permissões especiais para atravessar grandes centros e o controle exato de temperatura dos baús refrigerados. Em termos de cadeia do frio, esse tipo de carga exige atenção e cuidados extras, como embalagens, limpeza e acompanhamento de profissionais da saúde. Na prática, toda a cadeia de medicamentos, desde a fabricação até a aquisição pelo consumidor, é acompanhada por normas e todas as empresas envolvidas devem possuir autorização para operar. Ou seja, toda a cadeia compartilha responsabilidade pelo produto final.

Outro desafio no quesito refrigeração é relacionado à restrição de tráfego em alguns centros urbanos. Como resultado as empresas tiveram que se adaptar para que fosse possível transportar esse tipo de carga, utilizando um equipamento similar a um “freezer móvel” em veículos menores como vans e veículos urbanos de carga (VUC’s). Para isso é necessário solicitar uma autorização junto ao órgão municipal responsável e ainda há chance de perda da carga caso o planejamento não seja eficiente, pois os equipamentos de refrigeração em VUC´s dependem do motor diesel, e com a baixa rotação no tráfego o controle da temperatura fica afetado.

Também para que a temperatura adequada seja mantida, o Operador Logístico deve ser capacitado e seguir processos de boas práticas para não comprometer a cadeia. Nesse caso devem ser considerados fatores como quantidade de produtos sendo entregues, tempo em que as portas ficam abertas, qualidade do isolamento e outros. Para que todo o processo seja feito da forma correta, algumas ações específicas se tornam necessárias. Por exemplo, o baú e o equipamento de refrigeração devem ser dimensionados adequadamente para acondicionar a carga na temperatura requerida. Também o transportador deve utilizar cortinas plásticas nas portas.

Há ainda muitos desafios e obstáculos, mas podem ser vencidos com a conscientização da indústria e união para educar toda a cadeia. É um pesar que o mercado da cadeia do frio caminhe de forma lenta, seja para transporte de congelados, hortifruti, farmacêutica, floriculturista ou qualquer outra carga. Mais uma vez, é passada a hora de todos os setores envolvidos se engajarem para buscar a excelência em práticas do transporte e conscientizar governos e governantes a fim de criar um reflexo positivo em toda a indústria.

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