Preço do seguro para frete no agronegócio pode cair com uso de biometria facial

17/02/2021

O transporte de grãos, sementes e toda a produção do agronegócio brasileiro tradicionalmente oferece um desafio para o segmento de seguros. Entre eles, um dos que mais se destaca é a falsidade ideológica , que é quando um golpista se passa por motorista profissional para conquistar o frete e assim que tem a carga carregada em seu caminhão desaparece deixando um rastro de prejuízo.

A dificuldade de coibir este tipo de prática obriga as seguradoras a correrem riscos maiores e, consequentemente repassarem este fator para seus preços. Felizmente a tecnologia já oferece uma solução para este problema que é a biometria facial. Com ela, os especialistas afirmam que é possível diminuir as alíquotas praticadas neste tipo de operação.

Segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC), o Brasil teve 18.382 roubos de cargas em 2019, gerando perdas de R$1,4 bilhão. De acordo com o último levantamento da Secretaria Nacional de Segurança Pública, esse tipo de crime acontece, em média, 55 vezes todos os dias no país. A região Sudeste é a mais afetada, com 84,26% do total. Entre os segmentos mais prejudicados está o agronegócio.

Uma das seguradoras que começaram a enfrentar a falsidade ideológica com o apoio tecnológico é a NVZ Seguros. A empresa fechou uma parceria com a CredDefense, uma das maiores plataformas de biometria facial do Brasil, e afirma ter conseguido reduzir em 100% a ocorrência deste tipo de delito nos fretes. “Com isso, a NVZ seguros está conseguindo reduzir ainda mais as taxas para os clientes e trabalhar de uma forma mais assertiva e justa”, diz o diretor da NZV, José Antunes Valgas.

Ele explica que hoje em dia é muito comum as empresas contratarem o transporte por aplicativos de bolsa frete ou agenciadores de cargas. Nestes casos, o motorista manda a documentação dele e do veículo via WhatsApp, por exemplo, e o nível de pesquisa que o mercado utiliza para averiguar esta documentação ainda é muito falho.

Com a tecnologia da CredDefense, a NVZ está controlando a identidade de 6.645 motoristas em 150 diferentes transportadoras, totalizando um volume de carga de quase US$ 1 bilhão até agora.

A solução da CredDefense opera pelo smartphone dos caminhoneiros, sem necessidade de instalação de nenhum aplicativo. O motorista recebe um SMS ou mensagem via Whatsapp e através de etapas customizadas pode fazer a captura de biometria e checagem de diversos documentos de forma que fique comprovado sem margem de dúvidas que ele é quem diz ser.

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

As mais lidas

01

Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor
Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor

02

Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega
Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega

03

Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal
Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal