Porto retomará dragem plena do canal de navegação

08/06/2016

O Conselho de Administração (Consad) da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) aprovou no último dia 6, segunda-feira, o aditamento do contrato de dragagem realizado pela empresa Van Oord Serviços de Operações Marítimas Ltda. para a prestação do serviço de dragagem de manutenção do trecho 1 do canal de navegação, incluindo a atividade para os demais trechos (2,3 e 4), até que seja estabelecida a dragagem contratada pela Secretaria de Portos, do Ministério dos Transportes, que aguarda assinatura de Ordem de Serviço.

A iniciativa considerou a necessidade de se incluir o serviço para todo o canal em virtude do encerramento do contrato que atendia a dragagem dos trechos 2,3 e 4 (canal interno), que se estendem desde o Terminal de Pesca até a região da Alemoa.

Com a deliberação, a empresa de dragagem será convocada para assinatura do novo instrumento, agregando a dragagem plena de todo o canal de acesso no Porto de Santos.

O presidente da Codesp, Alex Oliva, explicou que, com as condições de profundidade garantidas no trecho 1, o contrato pôde, inclusive, ser redimensionado com a transferência de parte do volume a ser dragado do trecho 1 para ações pontuais nos trechos 2,3 e 4, com redução do valor original de R$ 24.305.000,00 para R$ 24.175.400,00, em virtude da diminuição na estimativa de volume dragado de 1,5 milhão para 940 mil metros cúbicos.

A partir da assinatura do aditamento e da ordem de serviço, a atividade de dragagem do canal será imediatamente retomada. A logística operacional está disponível com equipamentos e um plano de ação para atender os pontos críticos de assoreamento nos trechos internos do canal. A estimativa é que os serviços se iniciem dentro de 72 horas.

O presidente informou que também foi autorizada pelo Consad a abertura de licitação para contratação do serviço de dragagem para todo o canal de acesso, sem limitação de trecho. Para tanto, a Codesp irá concluir os termos de referência para lançamento de edital.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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