Porto do Açu já recebeu R$ 10 bilhões em investimentos

28/03/2016

A Prumo Logística divulgou na última quinta-feira (24) o resultado de 2015, com o investimento de R$ 1,3 bilhão no Porto do Açu. Somando o investimento realizado desde 2007, já foram aplicados R$ 10 bilhões no empreendimento. Deste montante, R$ 6,3 bilhões foram investidos pela Porto do Açu Operações (subsidiária da Prumo Logística), e R$ 3,7 bilhões pela Ferroport (joint venture formada pela Prumo e a Anglo American) e pela Anglo American. Os valores não contabilizam os juros capitalizados.

“O ano de 2015 estará marcado na história do Porto do Açu como o ano em que consolidamos os alicerces para o desenvolvimento sustentável do porto. Durante este período, obtivemos importantes conquistas, que tornaram viáveis diversas unidades de negócios do nosso plano estratégico. No lado comercial, novos contratos âncoras foram fechados com grandes clientes nacionais e internacionais, tanto para a utilização dos nossos terminais como para aluguel de área para instalação de unidades industriais. A nossa estrutura de capital melhorou significativamente com o alongamento da dívida existente, com novos financiamentos de longo prazo e venda de participação para um novo parceiro no Terminal de Petróleo. Por fim, a nossa infraestrutura ficou pronta para atender com excelência os clientes atuais e atrair novos clientes e parceiros”, disse Eugenio Figueiredo, diretor financeiro da Prumo.

Os novos contratos e investimentos foram realizados mesmo diante de uma forte retração econômica nacional. Esta confiança dos investidores e clientes reforça a consolidação do Porto do Açu como um dos principais empreendimentos portuários do país.

Resultado

Em 2015, foram investidos R$ 1,3 bilhão no Porto do Açu. Deste total, R$ 900 milhões (não incluindo juros capitalizados) foram aplicados, principalmente, nas obras do Terminal de Petróleo (T-OIL), Terminal Multicargas (T-MULT), no desenvolvimento do Terminal 2 (T2), e na infraestrutura geral do empreendimento.

O montante restante foi aplicado no desenvolvimento do Terminal 1 (T1), com a construção do quebra-mar, o aprofundamento da dragagem para 20,5 metros de profundidade e projetos de melhoria de planta e eficiência operacional da planta do terminal de minério de ferro.

No ano, a Prumo apresentou receita líquida de R$ 101,6 milhões. O incremento verificado em relação a 2014, quando a receita líquida foi de R$ 71,9 milhões, refere-se principalmente aos novos contratos assinados ao longo do ano.

As despesas administrativas foram de R$ 140,8 milhões, cerca de R$ 25,7 milhões acima do ano anterior. Os principais aumentos em relação ao ano de 2014 referem-se ao aumento de pessoal para fazer frente ao início das atividades dos terminais e nas linhas de Serviços de Terceiros referente a contratação de consultorias para as operações financeiras e societárias ocorridas ao longo de 2015.

A partir de dezembro de 2015, a Prumo alterou a classificação contábil da empresa Ferroport, que anteriormente era contabilizada como uma operação em conjunto (Joint Operation) para empreendimento controlado em conjunto (Joint Venture). Com esta alteração contábil, o resultado da Ferroport deixou de ser consolidado proporcionalmente e passou a ser reconhecido por equivalência patrimonial.

Com esta nova contabilização, o EBITDA consolidado da Prumo ficou em R$ 14,5 milhões negativos. Se levarmos em consideração a regra contábil aplicada anteriormente, o EBITDA consolidado alcançou o montante de R$ 148,2 milhões. Este valor está principalmente relacionado a contribuição da Ferroport relativa à sua operação de serviços portuários para o carregamento de minério de ferro da Anglo American referente ao contrato de Take or Pay existente. No último trimestre de 2015, o EBITDA alcançou R$ 12,2 milhões impactado principalmente por despesas administrativas extraordinárias não recorrentes incorridas no último trimestre.

Já o resultado financeiro foi impactado pelo início das operações, uma vez que parte das despesas financeiras deixaram de ser capitalizadas e passaram a transitar pelas demonstrações de resultado. Além disso, a emissão de um título de dívida no exterior no montante de U$ 200 milhões e o pagamento de comissões financeiras relacionadas a conclusão da negociação do alongamento da dívida de curto prazo, contribuíram para o aumento das despesas financeiras. Com isto, o resultado financeiro líquido consolidado em 2015 foi negativo em R$ 254,6 milhões.

As despesas financeiras foram de R$ 431,9 milhões, compostas principalmente de juros, corretagens e variação monetária. As receitas financeiras foram de R$ 177,3 milhões, compostas principalmente de juros sobre mútuo, rendimentos sobre aplicações financeiras e juros. O prejuízo líquido em 2015 foi de R$ 216,9 milhões.

Destaques 2015

Um dos destaques do ano foi o início da operação do Terminal Multicargas (T-MULT), em setembro de 2015. No total, foram realizados 3 carregamentos de bauxita, que totalizaram 114 mil toneladas. A movimentação foi referente ao contrato assinado no início do ano entre a Prumo e a Votorantim Metais, que prevê a movimentação de cerca de 300 mil toneladas por ano de bauxita e coque. A previsão é que o T-MULT movimente outros produtos como coque, carvão, clinquer, fertilizantes, rochas ornamentais, contêineres, além de bauxita.

Outro destaque foi a venda de 20% do Terminal de Petróleo para a alemã Oiltanking. Realizada em novembro, a transação foi de US$ 200 milhões, precificando somente este terminal em US$ 1 bilhão. O terminal, que também será operado pela empresa alemã, começa a operar em maio deste ano com o transbordo de petróleo para a BG (adquirida recentemente pela Shell). O contrato com a petroleira foi assinado em junho de 2015, e prevê a realização de serviços de transbordo de petróleo no Terminal de Petróleo (T-OIL). A operação prevê a movimentação de 200 mil barris por dia. O terminal, que conta com 20,5 metros de profundidade – com expansão para até 25 metros – tem capacidade já licenciada para movimentar 1,2 milhão de barris por dia.

Além disso, no final de 2015, o Porto do Açu iniciou um novo negócio com o recebimento da sonda de perfuração semissubmersível de águas profundas ODN Tay IV, que pertence a Odebrecht Óleo e Gás (OOG). A atracação no T2 possibilitará a realização dos serviços de manutenção e de apoio de rotina. O terminal tem profundidade suficiente para a atracação de sondas de perfuração sem a remoção dos thrusters, permitindo uma atracação segura, eficiente e econômica. A ODN Tay IV possui sistema de “Posicionamento Dinâmico” (DP – Dynamic Positioning), o que permite que ela atue a até 2.400 metros de profundidade. A sonda estava apoiando a campanha exploratória da Petrobras em Marlim Leste, na Bacia de Campos.

Ainda em 2015, a Edison Chouest antecipou a opção de expansão de sua área no Porto do Açu. Com 597 mil m², 1.030 km de cais e 16 berços para atracação, a unidade será a maior base de apoio offshore do mundo. A base começa a operar em abril deste ano.

Durante o ano, a Prumo assinou acordo para a gestão da área da OSX Construção Naval no Porto do Açu. A empresa será a responsável por gerir comercialmente a área – atraindo clientes e gerando caixa para o pagamento dos credores. Ainda em 2015, foi assinado contrato com a InterRio para a instalação de um hotel no Complexo Industrial do Porto do Açu.

Além dos destaques comerciais, o Porto do Açu também está se consolidando como um dos mais eficientes e seguros complexos porto-indústria do país. Um exemplo é a licença de operação para o Serviço de Tráfego de Embarcações (Vessel Traffic Service – VTS), concedida para o Porto do Açu pela Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil no final do ano. O VTS realiza o monitoramento do tráfego marítimo, ampliando a segurança e eficiência na movimentação de embarcações. Atualmente, o Açu é o único porto do país a contar com este serviço, o que credencia o empreendimento no mais alto nível de controle de informações e auxílio à navegação, seguindo padrões internacionais. Além disso, recentemente, o Porto do Açu foi incluído no VTS Guide, referência mundial sobre os sistemas de controle de tráfego marítimo.

Em 2015, o Porto do Açu recebeu mais de 200 embarcações e realizou mais de 60 operações de minério de ferro.

Na contramão do cenário atual, a Prumo iniciou o ano de 2016 com grandes perspectivas. O início das atividades do Terminal de Petróleo (T-OIL), da unidade da BP-Prumo (joint venture entre a Prumo e a BP para a comercialização de combustível marítimo) e da base de apoio offshore da Edison Chouest, posicionará o Porto do Açu no cenário mundial de cargas e será um polo de novos investimentos industriais.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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