Porto de Paranaguá bate recorde de movimentação total de cargas no primeiro trimestre

29/04/2016

O Porto de Paranaguá voltou a registrar marcas históricas. No primeiro trimestre deste ano, bateu o recorde de movimentação total de cargas. Em importações e exportações, o porto movimentou 11,18 milhões de toneladas de cargas e superou o recorde anterior, o de 11,10 milhões de toneladas registradas em 2014. Levando em conta o mesmo período do ano passado, a alta é ainda maior: 23% de aumento.

A marca foi alcançada pelo desempenho nas exportações de granéis sólidos. Na comparação com os três primeiros meses do ano passado, o Porto de Paranaguá aumentou em 17% a movimentação deste tipo de produto, com mais de 8,4 milhões de toneladas movimentadas. Dentro deste grupo, o destaque é a soja, que teve, em março, a melhor movimentação mensal de todos os tempos pelo porto, com 1,6 milhão de toneladas.

“Registramos marcas muito boas na movimentação, especialmente de grãos, antecipando os estoques da safra de 2015/2016. O ritmo forte de escoamento deve se manter pelos próximos meses e voltaremos a registrar bons números”, afirma o presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino.

A movimentação de granéis líquidos também fechou o primeiro trimestre com forte alta. Foram mais de 1,1 milhão de toneladas movimentadas, crescimento de 17% em relação ao mesmo período do ano passado.

RESULTADOS – A alta na movimentação de cargas é creditada também ao pacote de investimentos feitos no porto para dinamizar a operação e ganhar produtividade no escoamento.

Nos últimos cinco anos, foram R$ 511,9 milhões para melhorar a infraestrutura e logística do Porto de Paranaguá. Foram adquiridos quatro novos shiploaders (carregadores de navio), substituindo equipamentos da década de 70. Os novos carregadores conseguem embarcar grãos com 33% mais agilidade que os antigos, aumentando a velocidade de embarque de 1,5 mil toneladas por hora para 2 mil toneladas por hora.

Também foram adquiridos dez novos guindastes, balanças para pesagem dos caminhões, tombadores e demais componentes para descarregar cargas, scanners para inspeção de cargas. Além disso, foram instaladas guaritas informatizadas e novos acessos ao Pátio de Triagem.

Para os próximos anos estão previstos outros R$ 423 milhões em investimentos com recursos públicos.

DIVERSIFICAÇÃO – As exportações de produtos em contêineres e veículos também apresentaram crescimento no período. No caso dos contêineres, a movimentação registrou aumento de 5% na comparação do primeiro trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado. Ao todo, foram exportados 90,3 mil TEUs (unidade de medida equivalente a contêineres de 20 pés) de janeiro a março.

Os produtos que puxaram o resultado para cima foram carnes de aves congeladas, com alta de 17%, madeira, com crescimento de 46%, e papel, com aumento de 5%.

“Paranaguá é, hoje, o porto do Brasil com maior participação do modal ferroviário, o que é muito importante para as operações de contêineres. Conseguimos facilitar os acessos ao porto por todos os modais, reduzindo filas e tempo de espera, o que sempre foi um compromisso desta gestão”, afirma o secretário de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho.

A exportação de veículos por Paranaguá também teve forte alta no período de janeiro a março de 2016. Foram exportados 15,7 mil carros pelo porto paranaense, um volume mais de três vezes superior ao exportado no ano passado, quando a movimentação foi de 4,2 mil veículos.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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