Pesquisa da TOTVS aponta: empresas do agronegócio investem em tecnologias aplicadas ao transporte e armazenagem, mas há espaço para crescer

18/05/2022

O Índice de Produtividade Tecnológica (IPT) de Logística, desenvolvido pela TOTVS em parceria com a H2R Pesquisas Avançadas, apresenta um panorama sobre o grau de maturidade tecnológica da logística do agronegócio brasileiro, e revela que o setor está à frente dos demais embarcadores no que diz respeito a investimentos em tecnologia para armazenagem e transporte: 54% já possui sistemas de gestão de armazenagem e 32% gestão de transporte, enquanto a média dos embarcadores é de 46% e 26%, respectivamente.

As empresas de agro representam 4% dos embarcadores abordados pelo estudo, que entrevistou também representantes da indústria, varejistas e distribuidores. Comparado aos demais, o agro se destaca positivamente na adoção de soluções integradas a meios de pagamento – 41%, enquanto a média dos embarcadores é de 30% – e no gerenciamento de risco – 29%, enquanto os demais apontaram 25%. Outro número de destaque é em relação ao investimento e uso de sistemas de otimização e roteirização logística, que já atinge 53% das empresas de agro entrevistadas.

Entre os sistemas de gestão de armazenagem, as empresas de agro demonstraram adoção de dispositivos móveis na operação (50%), integração com hardware (50%) e uso de código de barras/RFID/BEACON (40%). Quando analisada a aplicação de soluções complementares, 57% utilizam ferramentas de BI (Business Intelligence) e CRM (Customer Relationship Management), dando importância também para ferramentas de Gerenciamento eletrônico de documentos (GED).

Em relação a investimentos futuros na gestão logística, para os próximos dois anos o setor do agronegócio se volta para gestão de custo logístico (47%), ferramentas de planejamento de carga (43%), monitoramento de frota (38%) e sistema de checklist (30%). “O agronegócio é uma potência nacional e para tanta produção é necessário investir ainda mais em armazenamento e em transporte, uma vez que a produção precisa ser escoada. Observar o quanto esse setor tem aplicado de tecnologias voltadas à logística revela um cenário promissor de crescimento”, afirma Angela Gheller, diretora de produtos de Agroindústria e Logística da TOTVS.

O Índice de Produtividade Tecnológica (IPT) de Logística é um estudo encomendado pela TOTVS, maior empresa de tecnologia do país, e conduzido pela H2R Pesquisas Avançadas. A pesquisa avalia o grau de aplicação e aproveitamento tecnológico tanto de prestadores de serviços logísticos (16%) quanto de embarcadores (84%). Para o estudo foram entrevistadas 740 empresas, entre nacionais e multinacionais, com faturamento igual ou acima de R$5 milhões. Para ler o estudo na íntegra, acesse o link: https://conteudo.totvs.com/paper-ipt-logistica

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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