Painel de Cargos e Salários norteia transportadoras

29/08/2022

Acompanhar as movimentações do setor é fundamental para a gestão e rotatividade da empresa.

O transporte rodoviário de cargas (TRC) é responsável por 60% a 65% de todas as mercadorias que são conduzidas pelas rodovias brasileiras. Por essa alta demanda, é necessário ter um amplo âmbito profissional para atender as atividades com alto padrão de qualidade e segurança, seja em áreas administrativas ou operacionais. Para isso, as empresas precisam estar atentas às práticas de mercado para atrair novos talentos ou para promover os atuais colaboradores.

Dessa forma, o Instituto Paulista do Transporte de Carga (IPTC), órgão de pesquisa parceiro do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), desenvolveu um painel de cargos e salários, disponibilizado para os associados da entidade, sobre as movimentações do setor, reunindo informações sobre:  mais de 200 cargos, áreas de atuação, tipos de contrato (CLT, Intermitente e Temporário), média salarial geral e entre homem e mulher e/ou faixa etária, consulta em municípios específicos e quantidade de admissões, demissões e saldo.

“O TRC possui um amplo espaço para colaboradores de diferentes segmentos. É o setor que movimenta o país. Portanto, as empresas precisam estar atentas ao que está sendo exigido no momento para ter esse parâmetro na hora da contratação ou até para saberem se os salários estão equiparados com o mercado, em diferentes regiões e níveis de hierarquia. Esse planejamento faz com que a companhia seja sempre atrativa para os melhores profissionais da área”, afirma Adriano Depentor, presidente do conselho superior e de administração do SETCESP.

Essa orientação precisa ser acompanhada constantemente e atualizada de acordo com os órgãos confiáveis de registro, como o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), que são utilizados como base dos estudos feitos pelo IPTC.

Depentor finaliza: “A taxa de rotatividade é muito importante para as transportadoras fazerem esse planejamento para não comprometer a operação, justamente por já saberem quais são os meses que possuem maior pico, como no final do ano, por conta do dia dos pais, dia das crianças, Black Friday e Natal. É uma ferramenta essencial para a estratégia de contratação e retenção de talentos da organização”. 

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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