O tempo do caminhão parado e suas consequências

02/02/2021

Fernando Miguel Zingler – Diretor executivo do IPTC – Instituto Paulista de Transporte de Cargas, órgão ligado ao SETCESP – Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região

Um dos maiores vilões da produtividade no setor de transportes de carga é, sem dúvida, o tempo de carregamento e descarregamento de mercadorias dos caminhões. Devido aos complexos processos inerentes desta atividade, muitas vezes acontecem ineficiências que resultam em um alto tempo do caminhão parado nos pátios, o que reflete diretamente nos custos de transporte – um caminhão parado traz consigo motoristas e ajudantes cumprindo uma jornada de trabalho rigorosa e controlada por lei, atrasos em toda uma programação de entregas, dificuldades operacionais devido aos horários que os caminhões são condicionados à circular nos municípios e outros fatores que diretamente vão acumulando perdas e aumentando o custo com o veículo parado.
Por isso, anualmente o IPTC realiza a Pesquisa “Índice de Eficiência no Recebimento – IER” com os principais estabelecimentos recebedores de carga de São Paulo e região para avaliar como está este cenário e como estão estas ineficiências que impactam as entregas de mercadorias. São avaliados nesta pesquisa centenas de estabelecimentos – supermercados, atacadistas, home centers, e também os grandes Centros de Distribuição da região. No ano de 2020, foram pesquisados 231 estabelecimentos, dos quais foram avaliados os principais procedimentos adotados no recebimento de cargas e a infraestrutura existente para este processo, e também foi calculado o tempo médio que se leva para descarregar um caminhão nestes locais com base nas informações disponibilizadas por transportadoras.
O tempo médio de descarga em 2020 fechou em 2 horas e 20 minutos – uma queda de 30 minutos em relação ao tempo médio de 2019. Este é o menor tempo dos últimos 10 anos de realização da pesquisa, motivado principalmente pela logística enxuta exigida pela pandemia, pela diminuição do volume de carga transportada e pela melhora na organização dos processos de recebimento, que também sofreram alteração com a adoção de protocolos sanitários em 2020. Uma queda desta pode parecer inexpressiva para alguns, mas pode representar uma redução de 12% nos custos das operações de transporte, aliviando o bolso dos transportadores.
Entre os principais pontos que afetaram o tempo médio que tiveram um impacto em 2020 podemos destacar, em relação à infraestrutura, o aumento de áreas de estacionamento interno e o melhor controle destas junto aos motoristas que chegam até os locais. Isso acontece com a maioria dos estabelecimentos, com exceção dos supermercados, que ainda são deficitários no oferecimento de vagas para caminhões. Já em relação aos processos adotados, a lista se alonga mais, porém é importante ressaltar:
• A dispensa da exclusividade do veículo de entrega para cada tipo de produto ajudou no controle e no menor número de veículos na fila de descarga. Neste ano percebemos que houve um movimento neste sentido e mais empresas passaram a dispensar esta exclusividade;
• A dispensa da exclusividade do veículo de entrega por fornecedor e destinatário, que permitiu que o transportador organizasse a sua rota com diversas entregas distintas e rodasse com menor capacidade ociosa;
• O cumprimento dos agendamentos, que foi fundamental em um ano de pandemia. Com maior controle de entrada e permanência nas áreas de recebimento, os agendamentos se mostraram mais certeiros e um percentual maior de assertividade foi notado;
• A maior janela de recebimento durante o dia, nos outros anos limitada à parte da manhã, e que em 2020 ano foi estendida para o período da tarde para evitar aglomerações. Isso ajudou também no cumprimento das agendas;
• A possibilidade da tripulação da própria transportadora realizar o descarregamento também deu agilidade e aumento significativo. Isso fez com que houvesse menos pessoas envolvidas no processo e menos quebras ao se descarregar, facilitando e agilizando o descarregamento;
• Em consonância com os anos anteriores, a devolução parcial de itens se mostrou uma prática adotada pela maioria dos estabelecimentos, o que também deu velocidade ao processo quando constatada alguma inconsistência.
Para ter acesso à pesquisa completa e entender mais sobre os pontos avaliados, acesso em nosso site: www.iptcsp.com.br/ier2020 ou entre em contato através de contato@iptcsp.com.br.

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