Necta Gás Natural e Scania apresentam plano integrado para descarbonização de frotas pesadas

A Necta Gás Natural e a Scania uniram forças para promover o evento Scania Day: Rumo à Descarbonização, realizado em 12 de dezembro na sede da montadora em São Bernardo do Campo, SP.

A iniciativa apresentou ao mercado um modelo de logística integrado e sustentável, com foco na descarbonização de frotas pesadas, reunindo representantes do agronegócio, distribuidoras de gás, redes de postos, embarcadores de cargas e transportadoras. O projeto possui potencial para ser replicado em todo o Brasil e está alinhado às metas do Plano Estadual de Energia de São Paulo (PEE 2050).

Reforçando o compromisso do governo com essa pauta, a Assembleia Legislativa aprovou, em 10 de dezembro, a PL 1510/2023 que prevê a isenção do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) para veículos pesados movidos a gás natural ou biometano, válida para os exercícios de 2024 a 2028.

A Necta Gás Natural atua em uma região estratégica que abrange 375 municípios no Estado de São Paulo, com proximidade a cinco distribuidoras de gás natural (Comgás, Naturgy, MSGÁS, GASMIG e COMPAGÁS) em três estados (MG, MS e PR). Em sua área de concessão, existem 135 usinas com alto potencial para a produção de biometano – uma energia renovável derivada de resíduos como vinhaça, palha e torta de filtro, subprodutos da cana-de-açúcar. Atualmente, a Necta já conecta a Usina COCAL, em Narandiba, SP, e vai integrar a Usina Santa Cruz à sua malha, em Américo Brasiliense, SP, até 2025, com planos de expansão contínua nos próximos anos.

Transição energética

O CEO da Necta, José Eduardo Moreira, destacou a posição estratégica da companhia no cenário logístico nacional. “Nossa área de concessão possui as principais rotas de escoamento do agronegócio até os portos de Santos e Paranaguá. Nosso papel é oferecer infraestrutura robusta e eficiente, promovendo a transição energética com gás natural e biometano como alternativas sustentáveis ao diesel. Somos agentes integradores que alinham os interesses dos diferentes players do mercado, facilitando a tomada de decisão e promovendo eficiência e segurança logística com menor impacto ambiental”, explicou.

De acordo com Bruna Biazzi, gerente de Novos Negócios da empresa, a Necta Gás Natural está na vanguarda da substituição do diesel por gás natural e biometano, consolidando-se como integradora de agentes nesse ecossistema sustentável. “Nossa meta é colocar 2.000 caminhões movidos a gás em circulação em nossa região nos próximos cinco anos”, afirmou.

O plano integrado está sendo desenhado pela Necta desde o início do ano, em conjunto com todos os players envolvidos. “Trabalhamos muito na elaboração do plano antes dele ser apresentado para o mercado. Acreditamos que o Agronegócio será o grande impulsionador da descarbonização. Essa transformação de fontes de energia mais sustentáveis na logística do agro irá destravar as rotas sustentáveis para muitas indústrias que possuem metas de redução de emissões GEE”, conclui Bruna.
A Necta demonstrou no evento que é possível aliar sustentabilidade à economia operacional, comprovando que o gás natural é competitivo em relação ao diesel. O abastecimento pode ser realizado tanto em postos quanto em garagens, com tarifa especial para frotistas. Essa infraestrutura de abastecimento oferece segurança financeira para que os transportadores invistam, apresentando um Custo Total de Propriedade (TCO) positivo.

Bruno Madalena, gerente Executivo de ESG na Necta Gás, complementa: “O mercado e os estados estão se organizando para o CGOB (Certificado de Rastreabilidade do Biometano). A Lei do Combustível do Futuro trouxe mais tração e clareza sobre como as empresas podem se apropriar do atributo separado da molécula de gás renovável para a descarbonização. Esse foi mais um incentivo do governo brasileiro para avançarmos na liderança global de uma transição energética eficiente e sustentável”.

Apoio de grandes players e novos modelos Scania

Entre os grandes apoiadores da iniciativa está a Rumo Logística, uma das maiores operadoras ferroviárias do Brasil. A Rumo Logística esteve presente e destacou a importância da descarbonização na cadeia produtiva para impulsionar a competitividade de seus clientes. “A complementariedade entre o modal ferroviário, que por essência já tem menor pegada de carbono, e o modal rodoviário, ao substituir o diesel pelo gás, reduz substancialmente as emissões e alavanca todos os elos da cadeia, fazendo o produto chegar ao seu destino com eficiência, segurança e sustentabilidade”, comenta Eudis Furtado, vice-presidente Comercial & de Novos Negócios da Rumo.

“A Scania inicia uma parceria inédita e a mais completa até agora nesses cinco anos de vendas pioneiras de caminhões movidos a gás e/ou biometano no Brasil. Temos um modelo completo de negócio para oferecer aos clientes nesta sinergia com a Necta, que está gerando e gerará muitos frutos. Estamos avançando para um passo muito concreto e fundamental para o futuro do modal a gás no transporte de cargas por caminhões. É uma estrutura pronta para reduzir emissões e tornar as frotas mais sustentáveis”, diz Alex Nucci, diretor de Vendas de Soluções da Scania Operações Comerciais Brasil. “A Scania é a pioneira na tecnologia de caminhões movidos a gás natural comprimido e/ou biometano no Brasil. Começamos as vendas em 2019 e até agora já superamos as 1.400 unidades negociadas. Acreditamos que o caminhão a gás seja o ideal nas rotas de 200 a 600 km (médias distâncias)”, salienta Nucci.

A parceria com a Scania foi decisiva para viabilizar o projeto. Em 2018, a montadora lançou sua primeira linha de caminhões movidos a gás natural (comprimido), liquefeito (gnl) e/ou biometano (100% sustentável), com início de vendas em 2019.

A Scania apresentou em 2024, o seu novo caminhão a gás de 460 cavalos e autonomia de até 650 km, o GH 460 6×2, sendo mais um passo importante para a transição para um sistema de transporte mais sustentável. A montadora projeta que nos próximos cinco anos de 10% a 15% dos caminhões vendidos serão de caminhões a gás.

A autonomia superior de até 650 km permite atender a todos os segmentos do Agro. A Scania também adicionou neste ano a potência de 420 cv, em substituição à 410 cv. Os modelos poderão ser configurados nas trações 4×2, 6×2 e o 460 também na estreante 6×4. O GH 460cv a gás chama muito a atenção pelos dois novos cilindros de gás, desta vez atrás da cabine. É o que a Scania chama popularmente de “conceito mochilão”. Além dos oito cilindros laterais tradicionais, foi ampliada a autonomia justamente com mais dois.

O motor de 13 litros desenvolve torque de 2.300 Nm (1.000 – 1.300 rpm). O entre-eixos é reduzido a 3.600 mm, que permite o acoplamento a semirreboques de até 15,40 m, costumeiramente chamados de “carretas 30-pallets”, além de aumento na capacidade de gás para até 270 metros cúbicos. Ele faz parte da gama X-gas. Os pioneiros caminhões semipesados e pesados Scania movidos a gás (natural comprimido e/ou biometano) são vocacionados para médias e longas distâncias. Seus motores são do Ciclo Otto (o mesmo conceito dos automóveis) e não são convertidos do diesel para o gás, têm garantia de fábrica, tecnologia confiável, desempenho consistente e força semelhante ao diesel. Além de serem mais silenciosos. As potências oferecidas são: 280, 340, 420 e 460 cavalos.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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