NDD amplia operação para atender demanda da logística brasileira

25/10/2023

A NDD, empresa brasileira de tecnologia com presença em 35 países e com forte atuação nos setores de transporte e logística, inteligência fiscal, e gestão para provedores de outsourcing, está investindo R$ 15 milhões na construção de uma nova sede. O espaço contará com mais de 6 mil metros de área construída e será o centro de inteligência da companhia. Localizado no Orion Parque, que já conta com um Centro de Inovação, em Lages, na Serra Catarinense, entrará em operação no início de 2024.

Segundo Alceu Keller, diretor comercial e de marketing, o investimento é parte da estratégia de crescimento da NDD, particularmente na expansão internacional do negócio e no desenvolvimento de novas tecnologias voltadas para o setor logístico. “Apostamos na transformação digital da logística brasileira, setor que representou 13,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022, conforme dados do Instituto de Logística Supply Chain (ILOS).”

Ele explica que, além de fortalecer a estrutura física, o aporte financeiro também se destina à ampliação da equipe, que atualmente conta com mais de 600 profissionais, aprimoramento da infraestrutura em nuvem, pesquisa e desenvolvimento. “Isso reflete o nosso compromisso em apoiar o mercado com soluções cada vez mais robustas, inteligentes e decisivas para sustentabilidade dos negócios, além de fomentar o desenvolvimento da comunidade local.”

Crescimento do negócio

Keller destaca que nos seus 19 anos de existência, a empresa conquistou uma rede formada por mais de 20 mil clientes localizados em quatro continentes. “No Brasil, para o setor de transporte e logística, a NDD fornece tecnologia para embarcadores, transportadoras, Operadores Logísticos e empresas de TMS e ERP, com portfólio que contempla a gestão e automação dos processos de emissão de todos os documentos fiscais, roteirização de viagem, meios de pagamento para frete e pedágio, auditoria de frete, até a comprovação da entrega”.

O diretor comercial relata, ainda, que a NDD cresceu cerca de 20% em novos negócios a cada ano, no período de 2017 a 2022. Até o final de 2023, a empresa prevê o crescimento de mais 18%, sendo que a sua divisão de logística é a que mais cresce. “O crescimento acelerado em logística acontece, pois, temos capacidades financeira e tecnológica para viabilizar pesquisas, estudos, desenvolvimento e implementações de tecnologias para grandes conglomerados de empresas de transporte, logística e para toda a cadeia de abastecimento”, comemora o executivo.

“O nosso esforço é ir além e conectar os nossos clientes com os pilares do ESG, às práticas que envolvem governança e meio ambiente. Para isso, embarcamos em nossas soluções, funcionalidades que promovem o inventário e a compensação de carbono”, explica Keller.

Contribuição para o avanço da logística

A NDD participa há anos, do grupo de discussões e desenvolvimento para a digitalização dos documentos de transporte, hoje conhecidos como CT-e – Conhecimento de Transporte Eletrônico – e do Manifesto de Documentos Fiscais Eletrônicos (MDF-e), criado para vincular os documentos fiscais utilizados na operação de transporte de carga, entre outros. Hoje, a NDD é também um meio de pagamento homologado pela ANTT, com mais de 750 mil operações geradas anualmente. Atualmente, a cada 100 CT-es emitidos no País, cerca de oito são processados pela NDD. Foi também uma das responsáveis pela implementação de soluções para pagamento eletrônico de fretes no Brasil, com foco em automatizar processos das empresas, melhorar a gestão e facilitar a vida do caminhoneiro na estrada.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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