Mudanças na nova lei de seguros são positivas para o setor de transporte rodoviário de cargas

22/08/2023

Principais mudanças na Lei nº 14.599  

Sabemos que o crescimento do setor de transporte de cargas é tão visível quanto as mudanças que ocorrem dentro dele, e um exemplo disso são as alterações trazidas pela Lei nº 14.599/2023, que corrigiu o artigo 13 da Lei nº 11.442/2007. As mudanças na lei sancionadas em 19 de junho de 2023 trazem de volta ao transportador a legitimidade da contratação dos seus próprios seguros, além da responsabilidade civil pela carga a ele confiada. 

Como já falamos algumas vezes, essa é a lei que rege a atividade de transporte rodoviário de cargas, fazendo com que haja, a partir de agora, a obrigatoriedade da contratação de três tipos de seguros por parte das transportadoras. 

Seu destaque principal é mitigar as ações de regresso que existem contra os transportadores, pois normalmente todas as transportadoras têm ou tinham alguma Carta de Dispensa de Direito de Regresso (DDR) de algum cliente embarcador que isentava o transportador contratado do custo do seguro. No entanto, se a transportadora descumprisse determinados requisitos, por mais insignificantes que fossem, a seguradora pagava o sinistro ao embarcador e movia uma ação de regresso contra a transportadora para reaver o prejuízo indenizado. 

Agora, a partir do momento que o transportador possuir seu próprio seguro, essa carta perde o efeito. Anteriormente, caso acontecesse algum tipo de acidente, a seguradora sempre pagava um eventual sinistro ao seu cliente. A transportadora, tendo a sua própria apólice, caso aconteça alguma ocorrência, acionará o seguro dela, e pronto. 

Papel das entidades do setor para que a MP 1.153 fosse convertida em lei

Não restam dúvidas de que o andamento da lei é uma vitória para as entidades do setor, que atuaram para aprimorar essa legislação. Houve uma dedicação muito grande dos representantes junto ao Congresso Nacional, em Brasília – tivemos momentos no Senado e na e Câmara. Quero deixar bem claro que esse não foi o trabalho de uma entidade apenas, ou de uma só pessoa: todo o setor se mobilizou para chegar ao que conquistamos. 

Fizemos diversas visitas à assessoria da presidência e conseguimos uma audiência com o vice-presidente Geraldo Alckmin, que compreendeu o problema que os transportadores enfrentavam, se mostrou muito preocupado com toda a situação e nos deu total apoio. 

É importante ressaltar que somente com a mobilização das entidades de classe é possível enfrentar os desafios do setor de transporte. Por isso, participem das atividades do seu sindicato, federação ligada ao setor, pois quando nos unimos fortalecemos nossa força coletiva e nos fazemos presentes para contribuir em prol de um setor aprimorado. 

Marcelo Rodrigues

vice-presidente do SETCESP

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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