Menor ritmo de vendas da soja deve gerar riscos logísticos para o segundo semestre

22/04/2024

Atualmente, o Brasil possui uma comercialização de soja em 45% do total de sua produção. Levando em consideração a previsão da Biond Agro na produção de soja em 2024, na ordem de 152 milhões de toneladas, o Brasil já vendeu aproximadamente 68,5 milhões de toneladas da safra 23/24. Fazendo um comparativo com o andamento das vendas desta safra com a média geral, há um significativo atraso. Nos outros anos, no mesmo período, o Brasil já tinha comercializado cerca de 58% do total.  

Esses valores demonstram certa instabilidade no ritmo de vendas dos grãos de soja e, consequentemente, nos riscos na cadeia logística para o segundo semestre. Essa é uma preocupação recorrente no cenário agrícola do país. Safras recordes e concentração de cargas resultam em baixas para o setor. Há anos, os investimentos na infraestrutura estão em descompasso com o avanço agrícola, evidenciando gargalos e aumento de custos na cadeia produtiva.

O primeiro descompasso no investimento e risco para uma safra é o déficit de armazenagem. Em 2019, esse déficit era de mais de 60 milhões de toneladas, ou seja, a produção de grãos supera a capacidade de armazenagem, agora em 2024 esse déficit já ultrapassa os 100 milhões de toneladas. Outro ponto é a utilização de modais pouco eficientes para longas distâncias. A participação do modal ferroviário nas exportações de soja e milho do Brasil saiu de 45% em 2018 para 36% em 2024. 

“Esse último tópico poderá ter avanços caso a ferrogrão seja liberada. O projeto foi barrado pelo STF e um grupo de trabalho do governo foi criado para analisar melhor o projeto a conclusão do estudo será em 11/06/24 –  os 933 quilômetros da Ferrogrão irão acompanhar o traçado da BR-163, ligando o município de Sinop (MT) ao distrito de Miritituba (PA) – a área de influência da ferrogrão é de todo o Médio Norte e Norte de Mato Grosso – regiões que produzem mais de 40 milhões de tons. Só esses dois fatores provocam em toda cadeia uma elevação de custos, que no fim se refletem em um “desconto” na saca de milho ou soja negociada pelo produtor”, comenta o líder de inteligência e assessoria da Biond Agro, Felipe Jordy.

Análise para os riscos do segundo semestre

A comercialização em ritmo lento e a entrada do milho safrinha a partir de meados de maio  ditarão uma maior concentração no escoamento da safra, tal movimento não criará cadência entre carga e descarga pressionando ainda mais os armazéns que já se encontram em déficit de capacidade, toda a cadeia logística e o custos para os produtores.

Atualmente, a baixa comercialização vem contribuindo para redução dos fretes, especialmente o rodoviário; porém, no “destravar” das vendas da soja, na iniciação da colheita e transbordo do milho e demais culturas, esse modal será altamente demandando, podendo acarretar na elevação dos custos.

“O modal rodoviário é essencial para curtas distâncias e para transbordo de mercadorias, todavia, pelo baixo investimento em outros modais, o rodoviário torna-se essencial também para o escoamento em longas distâncias”, comenta Jordy.

Nesse sentido, a Biond Agro gera uma leitura de mercado e dos fluxos logísticos que ajudam a mitigar o estrangulamento de transporte para os produtores. O objetivo na análise geral é pela busca de uma sustentabilidade econômica para os produtores brasileiros. A mitigação de risco e o acompanhamento dos custos é vital para obter bons resultados.

“A situação de concentração de grãos e dificuldades logísticas, apesar de ser um problema crônico no país, para produtores que possuem políticas de venda, de risco e capacidade de infraestrutura conseguem não só se sobressair desses gargalos, mas também encontrar oportunidades nesses momentos”, finaliza Jordy.

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

As mais lidas

01

Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor
Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor

02

Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega
Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega

03

Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal
Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal