Marketplace de cargas do agronegócio, Tmov, bate R$ 299 milhões de faturamento no primeiro trimestre deste ano

24/06/2021

CEO da Sotran Logística Charlie Conner 5

Em um ano de muita instabilidade econômica no País, a plataforma que conecta motoristas a cargas, em tempo real, e oferece uma gestão logística completa desde gerenciamento de risco até um meio de pagamento e serviços financeiros, cresceu mais de 150% no último ano a base de usuários mensalmente ativos. O Tmov, principal marketplace de agronegócio do Brasil, da Sotran Logística, também viu seu faturamento crescer. No primeiro trimestre deste ano foi de mais de R$ 299 milhões, um crescimento de 103%, se comparado ao mesmo período de 2020. O objetivo, nesse ritmo de crescimento, é se consolidar como a maior plataforma de frete de cargas do Brasil.

Uma das estratégias adotadas, e que reflete neste crescimento, foi a de Growth. Esse processo consiste em projetar e conduzir experimentos a fim de otimizar e melhorar os resultados de forma ágil. A sacada não impactou só a base de motoristas da plataforma, mas também tem promovido campanhas de incentivo para estimular que, cada vez mais, caminhoneiros utilizem o aplicativo em sua jornada de trabalho. “Nós já acumulamos cerca de R$ 10 milhões em incentivos pagos, de janeiro a maio deste ano, para a base de 80 mil caminheiros que temos ativos na plataforma. Em 2020, esse número foi de R$ 4.8 milhões”, conta Brian Bittencourt, Head de Growth & Marketing do Tmov.

A última campanha realizada pela empresa foi a “Corrida da Safra”. A mecânica consistia em oferecer benefícios em dinheiro para os caminhoneiros que tivessem mais percursos realizados, ou seja, quanto mais viagens, mais eles ganhavam. “Os primeiros 500 caminhoneiros foram premiados com roteiros de estradas de diversos estados brasileiros, do centro-oeste ao sudeste do Brasil. O motorista que mais realizou trajetos durante a campanha levou um voucher no valor de R$30 mil. Ao todo, foram pagos cerca de R$155 mil”, ressalta Bittencourt.

O time tem feito dezenas de experimentos por mês na plataforma, analisam constantemente o NPS e realizam pesquisas para resolver as principais dores dos caminheiros, embarcadores e transportadoras. As squads de dados estão 100% focadas no match para oferecer a melhor carga, na hora e no lugar certo aos caminhoneiros que utilizam o Tmov. Em seu portfólio de clientes, empresas como Seara, Cargill, Coamo, Coopersucar, Yara e BRF fazem uso da plataforma. “Para nos consolidarmos, precisamos continuar crescendo em ritmo acelerado e isso passa pela estratégia de focar na jornada do motorista. Queremos ter um engajamento positivo para entregar a melhor experiência possível, desde a aquisição até a gestão de suas cargas dentro da plataforma”, conclui Bittencourt.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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