Manserv investe R$ 400 milhões na criação da Simak Rent para disputar o mercado de locação de maquinário pesado

14/03/2023

A Manserv, uma das líderes do mercado brasileiro em serviços de manutenção industrial, de edificações e intralogística, está ingressando no mercado de locação de maquinário pesado. A empresa investiu R$ 400 milhões para dar início, este mês, às operações da Simak Rent, criada para atuar no segmento. Deste total, R$ 240 milhões já foram alocados na nova empresa e R$ 160 milhões serão injetados no negócio até o final do ano.

A Simak nasce com um parque de 1.300 máquinas e vai atuar na locação de caminhões e de equipamentos das linhas amarela – voltada para a movimentação de materiais e construção – e verde – voltadas para o agronegócio.

Nesta fase inicial de operações, cerca 60% dos equipamentos são formados por caminhões leves, pesados e extrapesados, que serão destinados a atividades de logística interna das contratantes.

Os equipamentos da linha amarela (pás carregadeiras, escavadeiras, entre outros) respondem por 35% dos equipamentos da Simak. Já o segmento de linha verde responde por 5% dos ativos e reúne equipamentos para atividades agroflorestais.

A Simak projeta faturamento de R$ 250 milhões no primeiro ano de atividade. “Começamos a operação com 140 contratos em 65 clientes”, aponta Anderson Antonio de Abreu, CEO da nova operação. Até o final do ano, a companhia será listada em bolsa como empresa de capital fechado e será auditada trimestralmente.

A nova companhia vai oferecer locação, manutenção e suporte à operação de equipamentos pesados, priorizando contratos de longo prazo. “Nossa estratégia é focar em projetos estruturados que tragam previsibilidade, estabilidade e menor custo total de operação. Queremos ir além da pura e simples locação de equipamentos”, diz Abreu.

Entre os setores que serão atendidos pela nova empresa na fase inicial de operação estão mineração, fertilizantes, químico, petroquímico, siderurgia, metalurgia, energia e papel e celulose.

A sinergia com a Manserv foi a grande motivadora da criação da nova empresa. A Simak traz para o negócio a experiência de 38 anos da Manserv em serviços técnicos especializados e em desenvolvimento de soluções para empresas de grande porte. Atualmente a Manserv tem 600 contratos ativos no país e atende um quarto das 300 maiores empresas em operação no Brasil do ranking Valor 1000.

Para imprimir eficiência à operação, a Simak vai trabalhar com foco em tecnologia. A empresa irá utilizar os sistemas de telemetria embarcados nos equipamentos para gerar relatórios gerenciais aos clientes, apontando posição, estado, condições de uso dos equipamentos e medidas preventivas para reduzir acidentes, desgastes, paradas e manutenção. “Vamos usar nosso know-how para gerar valor, ajudando os clientes a gerir as frotas e sua aplicação em campo”, explica o CEO da Simak.

O cumprimento de metas de ESG é outro ponto de destaque na estratégia da Simak. “Com a gestão dos equipamentos a partir de tecnologia, vamos ajudar as empresas a cumprir metas de redução de emissão de carbono. Equipamentos operados adequadamente, por exemplo, reduzem consumo de combustível o que é crítico para as estratégias de ESG das empresas.”

A nova empresa inicia as operações com 200 colaboradores. Até o final do ano serão 400. A Simak está presente em 22 estados e 140 sites e estará encarregada de fazer 100% da manutenção dos maquinários locados.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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