Logística: tecnologia garante transparência e entrega dentro do prazo

04/09/2023

Garantir uma boa experiência para os consumidores vai além do preço e do bom atendimento. A etapa de expedição de produtos é fundamental no processo de compra online, pois os consumidores podem avaliar a eficiência e a qualidade dos serviços de uma loja.

Nesse contexto, a transparência desempenha um papel fundamental, mantendo os clientes informados sobre o status de seus pedidos, cumprindo os prazos estabelecidos no momento do checkout e fornecendo atualizações quando a entrega está próxima de seu endereço.

Uma política transparente não apenas transmite segurança e profissionalismo, mas também pode aumentar a fidelidade dos clientes, reduzir reclamações, melhorar a organização interna da empresa e aumentar a reputação em marketplaces, atraindo assim novos clientes. “Essa transparência é especialmente importante, pois o comércio eletrônico é diferente do comércio presencial, já que os clientes não têm os produtos imediatamente em mãos. Portanto, estabelecer uma comunicação clara e transparente com o cliente é essencial para oferecer um atendimento excepcional”, destaca Claudio Dias, CEO da Magis5.

Por outro lado, a falta de transparência nessa etapa pode ter impactos negativos na experiência de compra online. A ausência de informações sobre o processo de entrega pode gerar dúvidas e levar os clientes a buscar informações por outros meios, como reclamações em marketplaces ou contato através dos canais de atendimento. “Comunicar os clientes sobre qualquer alteração nos prazos é a primeira medida a ser adotada. Quando isso não ocorre, pode resultar em cancelamentos de pedidos e, acima de tudo, prejudicar a imagem e a reputação da marca”, completa o CEO.             

Será que é golpe?

No último ano, os golpes virtuais aplicados no Brasil causaram prejuízo estimado de cerca de R$ 551 milhões, de acordo com um levantamento feito do AllowMe em parceria com a empresa de comércio eletrônico OLX. Quando uma empresa não fornece informações claras sobre o transporte dos produtos, aumenta a insegurança dos clientes e pode representar um risco para os consumidores.

“É só imaginarmos em um delivery, quando pedimos um lanche, por exemplo, e o atendente nos informa que irá demorar cerca de 30 minutos, mas acaba demorando mais de uma hora. Normalmente iremos ligar e esperar uma justificativa, caso não haja e continue a demorar, iremos cancelar”, reforça Dias.

Mas, se para o consumidor os problemas na expedição geram inseguranças, para os lojistas, a falta de transparência pode resultar em cancelamento de pedidos, custos adicionais de logística reversa, prejuízos financeiros e a perda de potenciais clientes, algo extremamente valioso para aqueles que atuam no comércio eletrônico.

Comprometimento dos lojistas faz a diferença

Diante dessa necessidade de comprometimento por parte dos lojistas, Claudio indica algumas boas práticas que garantem uma logística transparente e a entrega do produto dentro do prazo estipulado. “É essencial manter uma comunicação clara e constante com os clientes, informando-os sobre possíveis atrasos ou imprevistos no processo de entrega. Além disso, contar com múltiplas opções de transportadoras e oferecer a possibilidade de retirada em locais físicos pode melhorar a eficiência da entrega”, destaca.

Outra recomendação do CEO é investir em soluções tecnológicas que centralizem informações sobre pedidos, estoque e contato com fornecedores e transportadoras, o que pode agilizar o processo e oferecer uma experiência mais satisfatória aos consumidores. “Contar com uma plataforma de integração completa, que indique ao cliente o status do produto, seu trajeto e uma estimativa de entrega, gera uma reputação positiva para a loja, sendo fundamental para o sucesso do negócio”, enfatiza o diretor-executivo.

À medida que o comércio eletrônico cresce, as empresas também devem estar atentas à importância da transparência na expedição de produtos. “Ao fornecer informações claras, cumprir prazos e utilizar ferramentas tecnológicas adequadas, elas podem criar uma experiência de compra online excepcional, conquistando a confiança dos consumidores e se destacando em um mercado cada vez mais competitivo”, reflete Dias.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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