Logística reversa está reduzindo custos operacionais e o impacto ambiental de aparelhos eletrônicos

13/05/2024

O setor de telecomunicações está passando por uma transformação significativa no Brasil, com a adoção de estratégias de logística reversa auxiliando na recuperação e reutilização de dispositivos eletrônicos. A prática está redefinindo como as empresas gerenciam seus recursos e impactos ambientais.

Um estudo realizado pela Grand View Research, estima que as práticas de reciclagem e reutilização dentro da logística reversa podem reduzir os custos associados à aquisição de novos materiais em até 60%, ao mesmo tempo em que diminuem o impacto ambiental relacionado à produção de novos produtos.

Carlos Tanaka, fundador da PostalGow

De acordo com Carlos Tanaka, especialista em logística com mais de 25 anos de experiência e fundador da PostalGow, empresa que oferece soluções logísticas de telecomunicações, a introdução de novas tecnologias permite uma abordagem mais eficiente na gestão de resíduos eletrônicos. “Processos automatizados de triagem e reparo recuperam componentes valiosos e asseguram que eles sejam reutilizados ou reciclados de forma adequada, minimizando o desperdício e reduzindo a demanda por novos materiais”, relata.

Redução de custos e eficiência operacional

Economicamente, a logística reversa tem mostrado seu valor ao diminuir os custos de produção. “Empresas do setor de telecomunicações que adotam essas práticas economizam significativamente na aquisição de matérias-primas e na gestão de estoques, melhorando a eficiência operacional. Além disso, ao oferecer produtos recondicionados, as empresas podem atingir um segmento de mercado mais sensível ao preço, aumentando assim sua base de clientes e receitas”, pontua.

Do ponto de vista ambiental, a logística reversa é fundamental para reduzir a quantidade de lixo eletrônico, um dos tipos mais problemáticos de resíduos devido à sua composição tóxica e ao rápido volume de acúmulo. “Com a reutilização de componentes e o descarte adequado de materiais, as empresas passam a cumprir regulamentações ambientais mais rigorosas e fortalecem suas credenciais de sustentabilidade”, declara Tanaka.

Experiência do consumidor e responsabilidade corporativa

Para os consumidores, a logística reversa significa acesso a produtos de qualidade a preços mais acessíveis. Além disso, educa indivíduos sobre a importância da sustentabilidade, incentivando práticas de consumo consciente. 

Para as empresas, adotar essa estratégia fortalece a imagem de responsabilidade social e ambiental, uma consideração cada vez mais importante para os stakeholders.

Tanaka acredita que a implementação da logística reversa no setor de telecomunicações é um exemplo claro de como a tecnologia e a inovação podem ser aliadas na solução de desafios ambientais e econômicos. “Esta abordagem prepara o setor para um futuro sustentável e estabelece um novo padrão para a responsabilidade corporativa na era digital, impactando positivamente toda a cadeia de valor e a sociedade como um todo”, finaliza.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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