Indenizações por danos a cargas chegam a R$ 692 milhões em 2024. Tecnologia reduz riscos

05/09/2024

As indenizações relacionadas a seguros de transporte, que incluem perdas e danos a cargas, somaram R$ 692 milhões no primeiro semestre de 2024, segundo a CNSeg (Confederação Nacional das Seguradoras – Relatório Conjuntura 107, pg. 53). Parte desse valor resulta de avarias provocadas pela infraestrutura deficiente das rodovias brasileiras.

De acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), mais de 67% das estradas estão em condições consideradas ruins, péssimas ou regulares, o que elevou os custos operacionais das empresas de transporte em 32,7% em 2023.

O impacto negativo da infraestrutura precária é ainda mais amplo. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as dificuldades logísticas geram custos totais de até R$ 290 bilhões por ano no Brasil, refletindo-se em perdas de competitividade e eficiência para as empresas nacionais (leia estudo sobre o Custo Brasil).

Para Afonso Moreira, CEO da AHM Solution, empresa especializada em redução de perdas na logística, o cenário nacional exige que as empresas invistam em tecnologias de prevenção a danos a cargas durante o transporte. “Com a precariedade das estradas e o alto custo do transporte rodoviário, ganham força soluções que minimizem riscos e custos operacionais. Ferramentas avançadas de monitoramento e proteção de cargas, como dispositivos de monitoramento de impacto e vibração, contribuem para reduzir essas perdas”, afirma Moreira.

Entre as tecnologias para mitigar os danos às cargas, Moreira cita o Shocklog, que registra situações de choques, vibrações, mudanças de temperatura e umidade durante o transporte de mercadorias. O disposto conta com sensores que detectam quaisquer impactos que possam comprometer a integridade das cargas, e suas medições são precisas e instantâneas.

O equipamento é fixado diretamente na carga e envia alertas em tempo real para os gestores logísticos, permitindo ações corretivas imediatas. Além disso, armazena dados detalhados de todos os eventos de impacto, que podem ser analisados posteriormente para identificar padrões e pontos críticos ao longo das rotas de transporte. Com esse nível de controle e visibilidade das condições da carga durante toda a viagem, o Shocklog reduz os custos logísticos, pois permite a identificação e correção das causas de avarias – seja com mudanças de rotas, manuseios ou de embalagens, por exemplo. “Isso evita perdas que poderiam resultar em indenizações e despesas adicionais com seguros, além de contribuir com a satisfação de clientes e com a reputação da empresa no mercado”, conclui Moreira.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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