Há mais de um ano em operação, Campo de Provas da Iveco é o primeiro da América Latina no segmento

28/09/2016

O Campo de Provas da Iveco, em Sete Lagoas (MG), o primeiro da categoria a ser erguido em toda América Latina, acaba de completar um ano de funcionamento com uma das mais completas estruturas para testes de veículos comerciais, transportes e de defesa. Nesse período, mais de 600 veículos, do Brasil e de países vizinhos, como a Argentina, enfrentaram testes de resistência e de durabilidade que comprovaram a operacionalidade em situações reais de uso.

“O objetivo é assegurar a qualidade dos produtos da marca e que eles sejam entregues aos clientes após rigorosas avaliações. Obtivemos também uma significativa redução nos custos e no tempo de validação”, destaca Marco Borba, vice-presidente da Iveco para a América Latina. Clientes da Iveco, como a empresa Transportes Sílvio, também utilizam o complexo para testar os veículos. A ação é uma parceria da montadora com a rede de concessionárias.

O Campo de Provas está localizado numa área de 300 mil metros quadrados dentro do complexo industrial da Iveco. As avaliações, dinâmicas e de desempenho, são realizadas exaustivamente com as composições e cargas reais das aplicações, e as provas de freios são realizadas em uma pista de alta velocidade, do tipo oval, com 1.650 metros de extensão. Além disso, o Campo de Provas conta com pista especifica para teste de ruído, requisito para homologação do veículo, pista de fadiga estrutural acelerada e teste de conforto em um circuito desenhado para atender a demanda de todo o portfólio da Iveco.

“O empreendimento possibilitou que nossos produtos saiam da linha de produção e possam ser avaliados em nossas dependências”, ressalta Darwin Viegas, diretor de Engenharia de Desenvolvimento do Produto. O Guarani, blindado da Iveco, passa por testes específicos, solicitados pelo Exército Brasileiro, para comprovar a capacidade de partida em rampa, potência em trechos íngremes, durabilidade do freio de estacionamento e da embreagem e prova de navegabilidade, uma vez que o Guarani é um veículo anfíbio.

O projeto do Campo de Provas levou em conta também o cuidado com o meio ambiente. A Iveco obteve o aval do Ibama para a construção e, como contrapartida, realizou o plantio de 25 mudas de Pequi, espécie nativa da região, para cada árvore retirada do terreno. Além disso, o Instituto realocou para regiões vizinhas ninhos de aves que habitavam o local.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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