Grupo HOPE automatiza logística e registra ganhos após cinco anos de digitalização

14/10/2020

Mais de quatro mil pontos de venda, quase 200 franquias em todo o Brasil e 1,8 mil colaboradores fazem parte da HOPE, uma das marcas do Grupo HOPE, referência brasileira em moda íntima. E garantir a eficiência na distribuição dos pedidos era um grande desafio da companhia, que buscou em uma parceria com a Lincros, especializada em soluções para gestão logística de transportes, a tecnologia necessária para otimizar o fluxo de trabalho.

Segundo Luciane Silva, gerente de logística do Grupo HOPE, a escolha pela empresa de tecnologia aconteceu em 2015 e que desde lá os ganhos seguem ocorrendo na rotina do setor. “Atualmente temos uma economia mensal de 1,82% na conta frete por conta do processo de auditoria. Antes do sistema era impossível verificar os CTEs, que são os documentos relacionados ao transporte, um a um, pois o volume é muito grande. Fechamos as faturas a cada 15 dias e recebemos cerca de 500 CTEs por fatura de cada transportadora – são 10 empresas. Antes, esse controle ocorria por amostragem, o que levava cerca de dez dias. Só identificávamos erros ou pagamentos duplicados se aparecessem na amostragem. Hoje esse processo é assertivo e totalmente automatizado, em poucos minutos temos identificadas eventuais inconsistências em uma análise de todos os CTEs”, comenta.

Antes da solução, a gestão logística do Grupo era manual e não havia um mapeamento das entregas. “Eventualmente, havia a troca de informações com o departamento comercial, mas não tinha como saber em que etapa o pedido estava ou se já havia sido entregue ao cliente. Hoje o sistema da Lincros permite, inclusive, uma gestão proativa. Nosso cliente recebe um e-mail no last mile do pedido, que é quando já existe uma previsão de entrega. Isso é fundamental para a transparência e a melhoria no relacionamento com o cliente”, avalia a executiva.

Desafios da automação

Após conhecer as soluções da Lincros em uma feira do segmento de logística, Luciane destaca que houve a análise da empresa junto com outros possíveis fornecedores. “A Lincros foi muito flexível na construção de uma solução que realmente fizesse a diferença na nossa rotina”, reforça.

A gerente de logística do Grupo HOPE destaca que o processo de implantação foi desafiador, visto que o ERP utilizado pela companhia na época apresentava algumas limitações, o que levou à adoção de outra solução de gestão mais flexível. “Além disso, a automação também exige uma mudança de cultura, sentida principalmente nas transportadoras, já que nem todas estavam familiarizadas com esse tipo de tecnologia. Hoje, no entanto, há um trabalho totalmente integrado e mapeado”, explica.

Além da visibilidade nas entregas, Luciane destaca como ganhos da automação logística, a economia da conta frete, rastreabilidade de cargas e assertividade no processo logístico, já que o mapeamento da rotina ocasionou em redução de erros no trabalho da equipe.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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