goFlux lança FIDC de R$ 30 milhões para financiar transportadoras

29/02/2024

A goFlux, logtech que desenvolve soluções de tecnologia, inteligência e produtos financeiros para o mercado de transporte rodoviário, anuncia a criação de um Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC) exclusivo para o setor, em parceria com Opea e Brave Asset. O recurso estará disponível na   plataforma 100% digital da empresa, o goFlux naConta.

Com o FIDC, a goFlux ampliará a oferta de crédito para melhorar a relação de fluxo de caixa das mais de três mil transportadoras cadastradas pela companhia. De acordo com Pedro Azevedo, CFO da goFlux, o FIDC trará facilidades operacionais, já que todas as transações de frete serão integralmente fechadas dentro da plataforma da empresa, garantindo, assim, domínio e segurança das informações.

“Com esse controle de dados conseguiremos proporcionar conforto para o mercado financeiro sobre a validade e qualidade das transações que serão antecipadas. Utilizamos a inteligência da nossa ferramenta a favor de um processo robusto na análise de crédito e concessão de limites”, explica Azevedo.

A goFlux, que atua em diversos setores, com destaque no segmento agrícola – e principalmente no transporte de commodities – concluiu o ano de 2023 com mais de R$ 7 bilhões em transações de frete dentro de sua plataforma. Para 2024, a logtech planeja fazer a antecipação de recebíveis para as transportadoras na casa de R$ 1 bilhão e, assim, atingir a meta de R$ 12 bilhões de transações de fretes no sistema.

“Quando falamos em antecipar este montante, estamos sendo conservadores, pois não estamos considerando nem 10% do potencial da própria plataforma”, aponta Azevedo.

Vantagens para as transportadoras

Para as transportadoras, as vantagens de utilizar o goFlux naConta são muitas. Ao fechar as transações de crédito dentro da plataforma, por exemplo, elas automaticamente terão uma facilidade no processo operacional. Isso porque no mesmo ambiente que ela está realizando a transação, com dois cliques é possível antecipar os recebíveis. Importante ressaltar que, via de regra, as transportadoras recebem pelo seu serviço 30 dias após ele ter sido prestado.

Um segundo ponto de destaque é o histórico das operações da transportadora que ficam registradas na plataforma.

“Temos dados em nosso sistema que as tradicionais instituições bancárias não conseguem ter. Conseguimos dar mais limite e melhores condições para as empresas com menores custos, pois temos associado a cada uma delas uma análise do desempenho dentro da plataforma”, pontua o executivo.

Desde que surgiu em 2018, a goFlux já realizou mais de 25 mil operações e até o momento não houve nenhuma inadimplência. Atualmente mais de 10 mil contratos são concretizados diariamente no pico de safra. Por meio de sua plataforma é possível fazer a cotação, negociação, contratação e gestão do serviço prestado por terceiros. O foco da startup é no mercado B2B, conectando embarcadores a transportadoras. “Estamos criando algo transformacional para um mercado que tradicionalmente é pouco atendido.  Como as transportadoras não tinham acesso digital às operações a serviço delas, não havia um atestado de qualidade disso, e essa realidade que estamos mudando”, finaliza o executivo.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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