Foton anuncia linha de montagem de caminhões em Caxias do Sul, RS

A Foton acaba de anunciar a abertura oficial de sua linha de montagem na cidade de Caxias do Sul, RS. Trata-se de uma linha que, inicialmente, irá montar caminhões a partir de seus componentes importados da China, que chegarão ao Brasil em CKDs (Completely Knocked Down Parts).

Neste primeiro momento, os veículos produzidos na planta serão o semileve Aumark S 315 (nas versões manual e automatizada), os leves Aumark S 715 e S 916, além do médio Aumark S 1217, todos já comercializados pela Foton no Brasil. Também será montado no local o Auman D 1277, caminhão que marca a entrada da Foton no segmento brasileiro dos semipesados e que começa a ser vendido pelas concessionárias brasileiras da empresa em abril. 

A unidade industrial – localizada dentro do complexo fabril da Agrale, em Caxias do Sul – tem seis mil metros quadrados e capacidade de produção de cinco mil unidades por ano. “É uma linha de montagem moderna, otimizada e altamente eficiente, que será abastecida com peças e componentes de alta tecnologia. Cada caminhão percorrerá oito estações em linha e quatro estações fora da linha, garantindo máxima qualidade em cada detalhe. Em um ciclo de apenas 20 horas, transformaremos peças, tecnologia e inovação em veículos prontos para rodar pelas estradas do Brasil”, explica Fábio Pontes, diretor de Operações da Foton, que coordenará a fábrica. Inicialmente, a planta montará até sete caminhões por dia, com flexibilidade para aumentar a produção caso seja necessário. 

Segundo Pontes, a parceria com a Agrale é estratégica para a Foton. “Investimos em uma infraestrutura totalmente nova, com maquinário novo, pois estamos focando na produtividade e na qualidade final dos veículos. Escolhemos o complexo fabril da Agrale devido à sua localização na cidade de Caxias do Sul, que possui uma indústria automotiva forte e dinâmica, com mão de obra qualificada. Além disso, teremos uma logística eficiente com o Porto de Itajaí, em Santa Catarina, aonde chegarão as peças. Isso nos trará velocidade na produção.”

Ainda de acordo com o diretor de Operações, essa linha de montagem é um ponto de partida “e esperamos aumentar nossa presença no Brasil conforme a demanda for crescendo. Esse é nosso objetivo: expandir o negócio no País e, no futuro, ampliar a produção local e o desenvolvimento de fornecedores nacionais sempre de acordo com a demanda”.

Caminhão 12 milhões

O primeiro caminhão a sair da linha de montagem de Caxias do Sul, o semileve Aumark S 315, representa um marco histórico e de importância mundial para a Foton: trata-se do veículo comercial de número 12 milhões produzido pela empresa desde sua fundação na China, em 1996.

“A montagem em solo brasileiro do nosso veículo 12 milhões marca o início das operações da nossa fábrica em Caxias do Sul e comprova a alta importância estratégica que a Foton dá ao mercado brasileiro”, afirma Pontes. “Ao montar nossos caminhões em território brasileiro, estamos criando raízes cada vez mais fortes no País, reforçando nosso compromisso de longo prazo de oferecer os melhores caminhões para os transportadores do Brasil. O Aumark S 315 foi escolhido para essa importante ocasião, pois é um dos mais novos lançamentos da Foton no Brasil. Com Peso Bruto Total de 3,5 toneladas, motor Cummins, transmissão ZF, alta tecnologia embarcada e disponível nas versões manual e automatizada, o semileve começou a ser vendido no segundo semestre de 2024. 

Além disso, a Foton é a primeira montadora do mundo a atingir 12 milhões de veículos comerciais fabricados em menos de 30 anos. 

Fundada em agosto de 1996, a empresa alcançou a marca de 1 milhão de unidades produzidas em 2004. Em 2021, atingiu os 10 milhões de veículos comerciais produzidos. E agora, 28 anos e sete meses após sua fundação, chega aos 12 milhões de veículos fabricados, com a montagem do Aumark S 315 na linha de Caxias do Sul.

“É um recorde que mostra a alta capacidade produtiva da Foton, que pode fabricar mais de 700 mil unidades por ano, sem nunca abrir mão de qualidade, modernidade e eficiência em seus produtos. E o Brasil faz agora parte do nosso gigantesco complexo fabril”, afirma Pontes.  No Brasil, a Foton vende seus veículos através de uma rede de mais de 40 concessionárias estrategicamente distribuídas pelo território nacional e abastecidas por um centro de distribuição de peças localizado na cidade de Itajaí, Santa Catarina. São mais de sete mil part numbers disponíveis para o mercado de reposição. A meta da montadora é fechar este ano com pelo menos 80 revendas no País.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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