Executivo de varejo no Brasil tem uma das melhores remunerações entre os países emergentes, aponta pesquisa

04/05/2016

O crescimento do poder de consumo no mercado brasileiro na última década, aliado à profissionalização das empresas de varejo, fizeram com que o salário dos executivos do setor no Brasil se tornassem um dos maiores do mundo. É o que revela pesquisa global da Michael Page, empresa líder mundial em recrutamento executivo de média e alta gerência. A pesquisa avaliou posições ligadas às áreas de varejo e vendas e identificou que as remunerações praticadas no mercado local estão entre as mais altas do mundo. Um diretor de e-commerce tem remuneração anual no Brasil, por exemplo, entre US$ 144 mil e US$ 216 mil, enquanto em países emergentes como México, Turquia e China o salário do mesmo profissional gira em torno de US$ 36 mil e US$ 146 mil.

Para Fábio Cunha, gerente executivo da Michael Page, a consolidação do mercado consumidor brasileiro nos últimos anos impulsionou o desenvolvimento do setor de varejo e vendas no País. “Apesar do atual momento econômico, o varejo foi um dos pilares do desenvolvimento nacional na última década. A profissionalizações da gestão de empresas familiares do setor juntamente com a chegada de grandes players internacionais impulsionaram o aumento expressivo da remuneração desses profissionais”, completa.

O levantamento foi realizado no primeiro trimestre de 2016 e contou com a participação de cerca de 1100 executivos em 10 países.

Ainda de acordo com os dados do levantamento, um diretor nacional de varejo no País embolsa, por ano, entre US$ 126 mil e US$ 180 mil. Valores superiores aos que são praticados na China (US$ 107 mil e US$ 154 mil), México (US$ 63 mil e US$ 77 mil) e Turquia (US$ 76 mil e US$ 103 mil) para a mesma posição.

Outro exemplo interessante é o diretor de compras e visual merchandising. O executivo brasileiro (US$ 144 mil e US$ 198 mil) dessa posição tem a remuneração superior até mesmo de seus pares na Itália (US$ 89 mil e US$ 111 mil) e Espanha (US$ 78 mil e US$ 110 mil).

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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