Estudo do CTC/PUC-Rio mostra como economizar na logística de transporte levando em conta a carga tributária de cada Estado

15/04/2016

No Brasil, a política tributária não segue um regimento único, o que permite aos Estados oferecerem incentivos fiscais a fim de atrair empresas para suas regiões.  Entretanto, nem sempre a adoção por um determinado programa de incentivos traz vantagens nos custos logísticos totais para as empresas. Ao comparar a origem dos centros de distribuição e o destino dos mercados consumidores, independente do Estado em que estão situados, o modelo permite avaliar se é possível realizar uma economia que impacte positivamente na competitividade das empresas. Essa foi a conclusão de um estudo do Mestrado Profissional em Transportes e Logística do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio), que recebeu Menção Honrosa no prêmio da Confederação Nacional da Indústria de Economia (CNI) 2015, na categoria “Efeitos das Políticas Fiscal e Tributária sobre a Competitividade”.

Ao avaliar o impacto dos incentivos fiscais no desenho da rede de distribuição de uma empresa brasileira, o aluno Daniel Espírito Santo buscou uma solução para diminuir o custo logístico, considerando não apenas as despesas com frete, operação e manutenção dos centros de distribuição, mas também a carga tributária. Para isso, desenvolveu — sob a orientação do professor Hugo Repolho, do Departamento de Engenharia Industrial do CTC/PUC-Rio — um modelo matemático de programação linear que incluiu como parâmetros as oportunidades criadas pela política tributária de cada Estado analisada durante o estudo.

O estudo reforça que a ausência de uma legislação específica para as atividades relacionadas à logística de armazenagem e distribuição, principalmente em relação ao ICMS — Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços —, que é diretamente ligada às atividades de armazenagem (prestação de serviços) e transporte (circulação de mercadorias), contribui para que as empresas procurem formas alternativas para atender seus clientes: “O Planejamento Tributário assume, portanto, um papel cada vez mais relevante na tomada de decisões logísticas, pois não se deve deixar de recolher impostos apropriadamente, nem correr riscos fiscais.  Os custos gerados por decisões fiscais equivocadas podem ser mais significativos que os custos logísticos, pois o não cumprimento das obrigações gera um risco passível de altas penalizações pecuniárias, o que pode até inviabilizar as operações da cadeia de suprimentos”, reforça o Prof. Hugo Repolho.

Segundo Espírito Santo, a solução gerada pelo modelo obteve menores custos totais para o novo desenho de rede em comparação com a rede atual, com uma economia potencial de R$170 milhões. “Os incentivos fiscais oferecidos pelo Estado onde se concentravam os centros de distribuição da empresa analisada não são suficientes para justificarem a permanência desses centros longe dos mercados de consumo”, justifica o aluno.

Após a aplicação do modelo matemático, entendeu-se que a melhor condição para a empresa seria dividir a distribuição entre dois estados. “O fator tributário é um aspecto que deve ser considerado na tomada de decisão do gestor da cadeia de suprimento. Entender como funciona a estrutura tributária de cada Estado é essencial para avaliar os impactos sobre a cadeia logística, levando em conta as atividades e insumos para o atendimento dos clientes finais”, finaliza o professor.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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