Empresas Randon e Campear fecham parceria para impulsionar a contratação de consórcios no agro

13/01/2023

Uma das mais tradicionais administradoras de consórcio do Brasil, a Randon Consórcios acaba de selar uma parceria com a startup gaúcha Campear – primeira plataforma de e-commerce e marketplace para o agro brasileiro com rede própria de franquias – para ampliar ainda mais a oferta de consórcios, especialmente no agronegócio. Já nos primeiros meses de 2023, entra em atividade a Campear Consórcio, marca que será administrada pelas Empresas Randon.

O modelo de negócio é conhecido no mercado como ‘white label’, conforme explica Esequiel Ransolin, um dos sócios-fundadores da Campear. “Quem comercializa as cotas é a Campear, que, além das vendas via plataforma, tem um braço forte, também, no contato direto com o produtor rural, de uma forma híbrida. A parceria fica completa com a expertise e a força da Randon, que será 100% responsável pela gestão do consórcio em todo o país. É segurança e garantia de bons negócios para todas as partes.” Ransolin ressalta que a assistência presencial é um diferencial oferecido pela Campear e não altera os valores a serem pagos pelo cliente.

As adesões aos consórcios têm sido uma alternativa muito praticada pelo consumidor, especialmente no agronegócio, para compras planejadas e com ausência de juros. Levantamento da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac) mostra um aumento de 326,5% na contratação de consórcios para aquisição de veículos pesados, como tratores, máquinas e implementos, nos últimos cinco anos. O comparativo considera o período de janeiro a maio dos anos de 2018 e 2022, quando o número de cotas negociadas saltou de 7,4 mil para 31,8 mil. Os bens mais visados são tratores e colheitadeiras.

“Temos ótimas perspectivas a partir da parceria com a Campear, uma empresa jovem e conectada às tendências do mercado digital para o segmento do agronegócio. Com a nova marca, ampliaremos as possibilidades de benefícios concretos para nossos clientes”, sinaliza o diretor da Randon Consórcios, Augusto Giongo Letti.

No Campear Consórcio, as cartas de crédito têm valores entre R$ 20 mil a R$ 400 mil reais, de acordo com o interesse do cliente, e valem para um leque variado de produtos – motocicletas, veículos leves e pesados. “Ao ser contemplado, o consorciado poderá adquirir o bem da marca que preferir, pois a carta de crédito é dinheiro para quem vende”, ressalta Ransolin.

Parceria

A parceria vai funcionar nos mesmos moldes de outras empresas reconhecidas que já atuam com a Randon. “É uma chancela importante e significa uma confiança forte da marca Campear”, resume Esequiel Ransolin, ressaltando que um dos diferenciais da nova proposta é a venda consciente, e não por impulso ou convencimento. “Oferecemos seriedade, segurança e foco em entender a necessidade do cliente, será uma compra digital assistida”.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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