Empresa sueca LOTS Group começa a atuar no transporte de cana-de-açúcar

07/08/2023

A empresa sueca LOTS Group, do grupo Scania, responsável pela otimização das operações logísticas por meio da tecnologia e inovação, chega a Goiás e começa a atuar no setor de transporte de cana-de-açúcar nas cidades de Mineiros e Perolândia.

A empresa, que atua desde 2018 no transporte de cana-de-açúcar e em diversas cidades do interior do Estado de São Paulo, já iniciou os investimentos nas cidades goianas com a construção de uma torre de controle, para monitoramento da frota em tempo real 24h, e também construiu uma oficina de manutenção para revisão dos veículos. Mais de 220 profissionais da região já foram contratados e a atuação da empresa deve movimentar ainda mais o mercado local.

“Conforme a operação for aumentando, precisaremos de mais mão de obra, ou seja, mais pessoas serão contratadas. Investimos em capacitação e treinamentos e na diversidade, tanto que temos um programa exclusivo para treinar mulheres que querem trabalhar como caminhoneiras”, destaca o Chief Human Resources Officer da LOTS na América Latina, James Demarchi.

A empresa está implementando ainda soluções tecnológicas para planejamento e roteirização de viagens, gestão de pneus, monitoramento de estradas, telemetria e câmeras embarcadas nos veículos, georreferenciamento dinâmico, aplicativo do motorista, tudo para tornar o transporte mais seguro. 

Números

As novas operações da LOTS em Goiás fazem parte do plano de investimento da empresa de R$ 230 milhões dedicados à América Latina durante o ano de 2023. Segundo Stephanie Amaral, responsável por Desenvolvimento de Negócios da empresa na América Latina, “a expectativa é crescer na região, aumentar a atuação, se consolidar e prospectar novos parceiros, já que Goiás é o quarto maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil”.

A LOTS espera transportar 3,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar nas suas novas operações de Mineiros e Perolândia. O Estado de Goiás deve colher 72,7 milhões de toneladas da matéria prima na Safra 2023/2024, de acordo com a pesquisa Agro em Dados. O resultado supera em 2,3% o volume alcançado na safra anterior e representa 11,4% da produção total brasileira.  O estado é o quarto maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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