Em duas décadas, Eaton dobra produção em Mogi Mirim

16/10/2020

A primeira fábrica instalada no distrito industrial de Mogi Mirim (SP) completa, neste mês de outubro, 20 anos de existência. Especialista em fabricação sob contrato de manufatura, esta unidade da Eaton, que produz kits para transmissões compostos por eixos, engrenagens e sincronizados para carros de passeio, caminhões e ônibus, vem conquistando negócios significativos, especialmente no fornecimento para caminhões pesados e extrapesados, o que levou a dobrar sua produção. O foco no aumento da produtividade para atender os novos contratos permitiu que a unidade alcançasse a marca de 20 mil componentes produzidos por dia.

Além da General Motors como cliente, neste ano, a Eaton expandiu seus negócios com a Mercedes-Benz, iniciando o fornecimento de componentes para o novo Actros, que está nacionalizando seu câmbio automatizado G291 de 12 velocidades e tem a Eaton como principal fornecedora local de itens para a caixa. “Nossa excelência em manufatura e cultura em qualidade nos possibilita atender elevados requisitos de qualidade e produção em escala de uma forma extremamente eficiente”, declara Sérgio Kramer, diretor geral para Veículos Comerciais e Fora-de-Estrada da Eaton.

Devido a excelência operacional de padrão mundial, os componentes atendem o mercado doméstico e exportação e, para aumentar cada vez mais a eficiência e excelência da produção, nos últimos três anos, a unidade está investindo de forma consistente em tecnologia e capacidade. Cerca de 50 equipamentos novos foram comprados, dentre eles soluções inéditas da empresa no Brasil, como uma nova tecnologia para acabamento de dentado, microscópio eletrônico de varredura (MEV) para área de tratamento térmico que, até então, só era encontrado em universidades e centros de pesquisas.

Investimentos em Indústria 4.0 estão numa fase avançada na localidade. Veículos autoguiados fazem o transporte de peças entre diferentes áreas da fábrica possibilitando que funcionários passem a executar atividades que agregam mais valor – o que resulta em mais produtividade e ergonomia. Também já é possível ver a atuação de um robô colaborativo com dois “braços” montando componentes complexos. Além disso, óculos de realidade aumentada estão sendo usados frequentemente em diversas situações, como manutenção preventiva e montagem de equipamentos, e impressora 3D tem produzido inúmeros itens, contribuindo para a agilidade em diversas áreas.

“A unidade de Mogi Mirim é reconhecida globalmente pela Eaton como planta modelo há quatro anos consecutivos por seus resultados e processos bem estabelecidos. Processos esses que geram impacto direto na excelência operacional, com foco em segurança, qualidade e produtividade e na entrega de soluções sustentáveis a nossos clientes. E o grande motor desse reconhecimento e do crescimento de nossos negócios é a paixão de nossos funcionários que trabalham incessantemente na busca da excelência e da inovação”, encerra Ricardo Monzani, diretor industrial da unidade da Eaton de Mogi Mirim.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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