Diretoria de e-commerce SETCESP: Quais são os nossos objetivos

09/06/2021

Guilherme Juliani – CEO da Flash Courier e diretor de E-commerce do SETCESP

 

Não é segredo para mais ninguém que a pandemia do coronavírus alterou a nossa forma de se relacionar e principalmente consumir. Empresas e instituições que há anos estavam adiando sua digitalização, tiveram que correr para suportar esse novo comportamento do consumidor. Com isso, o e-commerce brasileiro teve o maior crescimento da história.

Segundo o índice MCC-ENET, desenvolvido pelo Comitê de Métricas da Câmara Brasileira da Economia Digital (camara-e.net) em parceria com o Neotrust | Movimento Compre & Confie, o e-comm brasileiro cresceu, apenas em 2020, 73,88%.

Dividindo por regiões, o crescimento do comércio digital cresceu, comparado a 2019, 77,63% no Nordeste, 66,22% no Sul, 48,32% no Sudeste, 46,99% no Centro-Oeste e 39,25% no Norte. Temos hoje 1.3 milhões de sites de e-commerce no Brasil, com um crescimento de 40% somente no último ano.

Com esse aumento, as transportadoras começam a ter maior demanda vindo desse mercado, e assim, consequentemente, surgem novas empresas que querem e começam a atuar nesse ramo. Foi pensando exatamente nessa nova demanda que o SETCESP – Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região lançou, no último mês de abril, a Diretoria de E-commerce, da qual fiquei muito feliz de ter sido convidado para comandar.

Nosso objetivo está bem claro: olhar mais de perto as necessidades das transportadoras desse ramo de atividade, que ganhou tanta relevância durante a pandemia. Temos muito que fazer, queremos olhar os projetos de desburocratização, igualdade de concorrência com os Correios, melhorias de processos, como retirar o preço do produto da DANFE e muito mais.

Precisamos ouvir todas as demandas dos associados e consolidar em um plano de trabalho. Como hoje já trabalho no fracionado com foco em B2C, temos uma parte dessas necessidades mapeadas, mas existem centenas de melhorias necessárias para os diversos segmentos dentro do e-comm que precisamos entender e endereçar.

O crescimento vivido em 2020 gerou um aumento nas empresas que trabalham nesse segmento, e isso sim motivou a criação dessa diretoria. Agora, precisamos trabalhar para conseguir auxiliar os transportadores associados à entidade.

Sentimos que esse é só o começo, queremos disseminar as boas práticas e auxiliar as empresas a crescerem neste segmento que, de acordo com a estimativa feita pela Worldpay from FIS, deve movimentar US$ 56 bilhões  (R$ 314,8 bilhões, em conversão direta) em 2024, ante os US$ 36 bilhões (R$ 202,2 bilhões, em conversão direta) alcançados em 2020.

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

As mais lidas

01

Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor
Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor

02

Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega
Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega

03

Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal
Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal