Dia das Mães aquece mercado varejista nacional

11/05/2018

Considerada como a mais importante data comercial do Brasil, depois do Natal, o Dia das Mães já movimenta o varejo de todo o país. Apenas na cidade de São Paulo, principal mercado nacional, a expectativa é que as vendas do setor registrem crescimento de até 5% no período que antecede a data, no comparativo com o ano anterior, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O potencial comercial da data comemorativa explica-se em parte pelo significativo público envolvido: segundo pesquisa realizada pelo Google, o Brasil possui 67 milhões de mães e a média de usuários da internet que celebram este dia é alta, chega a 72% dos entrevistados. Ainda segundo a pesquisa, 46% das pessoas que não compraram presentes no ano passado planejam fazê-lo este ano. Perfumes e cosméticos estão entre os mais procurados, afirma o estudo.

E para abastecer estes potenciais compradores, o mercado se mune de estratégias de produção e de distribuição para dar conta da demanda. Ao longo de todas as etapas da fabricação dos produtos e também no momento de fazer chegar estas mercadorias aos pontos de venda entra em cena um parceiro essencial: o operador logístico. Uma das responsáveis pelo abastecimento e distribuição dos segmentos de healthcare e cosméticos é a Panalpina Brasil, que oferece soluções logísticas completas de importação, exportação, desembaraço aduaneiro, armazenagem e distribuição, e que atende as principais empresas desses mercados, como a Avon, uma das maiores marcas cosméticas da atualidade.

De acordo com a gerente de contas da Panalpina Brasil, Marina Manduca, encarregada pela gestão das operações com a Avon, atualmente a Panalpina está à frente das importações dos insumos necessários para a composição dos produtos da marca e de suas respectivas embalagens. “Trabalhamos com a Avon desde 2016 e atualmente somos os responsáveis por todos os embarques internacionais da marca provenientes da Ásia para o Brasil. Importamos vários insumos, desde toda a parte plástica para a constituição das embalagens até produtos em si, como esmaltes e maquiagens”, pontua.

Logística que faz acontecer – Marina relata que esses transportes são realizados, em sua maioria, via modal marítimo. “Somente em 2017, transportamos aproximadamente 5 mil toneladas para a Avon. A maioria, mais de 90% do total, via modal marítimo, que exige uma média de 30 dias para a chegada aos respectivos destinos. Por isso, o transit time da operação tem que ser bem assertivo, para que não ocorram atrasos nesse trajeto, ocasionando atrasos também na produção e na entrega dos produtos aos revendedores da marca. A Avon trabalha com diversas campanhas no decorrer do ano, que mudam constantemente, então para eles é fundamental que os materiais cheguem dentro do prazo”.

Há casos em que esse volume pode variar, assim como o modal de transporte das cargas. “Em casos de lançamentos, por exemplo, a demanda pode ser maior do que a esperada, sendo necessário transportar novos lotes de produtos com urgência para suprir os pedidos extras. Nestas situações utiliza-se o modal aéreo, capaz de realizar o transporte das cargas em um período de 3 a 8 dias”, complementa Marina.

Maquiagem – Os grandes eventos para a Avon são os lançamentos, especialmente os da sua linha de maquiagem, já que a marca é a número um nesse segmento no Brasil. E as datas comemorativas são oportunidades importantes de venda. “Para nós, o Dia das Mães é mais representativo do que o Natal. É quando temos um de nossos maiores picos de vendas no ano, quando consideradas apenas as datas comemorativas”, afirma o gerente de logística da Avon, Humberto Ciucio.

O executivo explica que todo produto começa a ser pensado cerca de um ano antes de seu lançamento ao mercado, quando são apresentadas as ideias e as propostas para a nova mercadoria. “Logo depois, é avaliada a viabilidade da produção, em que analisamos quais serão os componentes necessários para seu desenvolvimento, qual será a logística para trazê-los até nós, quais serão os parceiros que nos auxiliarão ao longo do processo e etc. Por fim, com todo o planejamento definido e aprovado, damos início à produção de fato, com uma demanda inicial de 2 milhões de unidades”, destaca.

Ciucio ressalta ainda que para que tudo saia como o planejado, o operador logístico é imprescindível. “Hoje dependo muito do operador logístico, preciso que ele seja um parceiro total da Avon no decorrer de todo o processo. Quando trabalhamos com datas sazonais, como o Dia das Mães, conseguimos prever de forma mais exata a quantidade de pedidos que receberemos, há um volume esperado. Mas quando trabalhamos com lançamentos não temos como antecipar ao certo qual será a resposta do mercado, qual será a quantidade de pedidos para o produto em questão. Sendo assim, podemos ter uma demanda acima do aguardado e precisar de novas remessas o mais rápido possível. Por isso, necessito que o operador logístico esteja sempre pronto para nos atender no momento em que for acionado”, completa.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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