DHL Express investe R$ 23 milhões em novo gateway no aeroporto de Viracopos

06/06/2024

Yves, Claudia, Mirele e Alan

A DHL Express investiu R$ 23 milhões em um novo gateway no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), visando aumentar a capacidade de processamento de cargas importadas. A operação, que funcionará 24 horas por dia, incluirá tanto serviços de importação courier quanto de cargas aéreas. Com uma área de 2.500 metros quadrados, tem capacidade para processar até 3.000 peças por hora e armazenar até 7.000 remessas.

O gateway – nomenclatura estabelecida internamente pela companhia para locais que concentram os recebimentos para distribuição nacional e expedições internacionais – aguarda a conclusão do processo de alfandegamento para começar a operar, a previsão é o segundo semestre de 2024.

Raio-X de cargas

Este será o maior centro de processamento de cargas de importação da DHL Express no Brasil e o segundo maior da América Latina. A instalação está preparada para receber e liberar tanto cargas courier quanto cargas formais, contando com um aparato completo de câmeras, esteiras e dois aparelhos de raio-X: um de pequeno porte e outro maior, que permite a inspeção de paletes e contêineres.

“A grande vantagem para nossos clientes é o ganho significativo de tempo. Nosso galpão está muito próximo à pista, permitindo que as cargas sejam desembarcadas diretamente do avião para o terminal. Em seguida, realizamos a triagem das cargas expressas e formais. A maioria das cargas expressas é processada e liberada na mesma noite, possibilitando a conexão no dia seguinte. Cerca de 60% do nosso volume é entregue no dia seguinte à chegada do voo”, explicou Claudia Souza, vice-presidente de operações da DHL Express no Brasil.

A novidade é a capacidade de realizar o desembaraço aduaneiro das cargas formais internamente. Isso significa que a carga permanece sob a responsabilidade da DHL durante todo o processo: desde o transporte global e coleta até o desembaraço e armazenamento. “Realizamos as declarações de importação e, a partir daqui, a carga segue diretamente para o cliente. Todo o processo é controlado por um único provedor, garantindo maior segurança e visibilidade completa da carga durante todo o tempo”, salientou Claudia.

O gateway receberá cargas da aeronave que faz o trecho Miami – Viracopos, contendo mercadorias provenientes da Ásia, América do Norte, norte da América do Sul e América Central.

Em termos de segmento, no courier, há uma presença significativa de cargas do e-commerce, mas a empresa também atende o mercado B2B. “O e-commerce ainda representa uma pequena parcela do nosso negócio internacional no Brasil, cerca de 10%. Nosso foco principal é o B2B, e o interessante é que trabalhamos com todos os setores, desde pequenos e médios negócios até grandes empresas”, destacou Claudia.

Sobre segurança, a estrutura possui aproximadamente 160 câmeras modernas, alinhadas às diretrizes da Receita Federal, que ajudam a prevenir extravios e avarias nas cargas, proporcionando um controle robusto. Vale lembrar que a DHL Express possui certificados nacionais e internacionais de conformidade e segurança, como o TAPA e OEA.

Otimização

Alan Falbo, diretor de operações de aeroportos, explicou que um operador aeroportuário convencional recebe cargas do mundo inteiro, de diversos agentes e intervenientes. Embora tenham uma estrutura maior, eles ainda enfrentam um grande volume de trabalho. “Atualmente, em média, levamos de dois a três dias para liberar uma carga nessas condições, pois não controlamos todo o processo”, disse.

O objetivo com o novo gateway é otimizar esse processo. “Temos casos de importadores que conseguem liberar suas mercadorias em poucas horas, mostrando a eficiência que podemos alcançar. Por exemplo, uma carga que chega às 23h30, é armazenada por volta da 00h30 e às 6h da manhã já estamos preparando a documentação necessária para a liberação. Às 9h, a carga já está liberada”, disse, mostrando que a nova estrutura vai possibilitar reduzir o tempo do processo de dias para horas.

“Nossa estrutura de controle, segurança e facilidade de acesso nos permite gerenciar tudo de maneira eficiente. Queremos criar um fluxo contínuo de ‘chegada e liberação’ das cargas, garantindo que tudo funcione de forma rápida e organizada”, acrescentou Yves Martin Lapa, gerente sênior de importação e exportação de carga.

Perspectivas

Questionada sobre perspectivas de crescimento, Mirele Mautschke, CEO da DHL Express no Brasil, disse que a empresa tem apresentado um crescimento de dois dígitos ano após ano, mesmo antes da pandemia, com um aumento significativo especialmente nas importações e no volume de encomendas.

“A expectativa mínima é de um crescimento médio anual de 5% a 7% em termos de volume, embora essa seja uma projeção conservadora. Ainda dependemos muito da situação global e da economia do país, além de haver questões fiscais a serem resolvidas”, expôs.

Redução de emissões de carbono

O gateway de Viracopos recebeu um investimento significativo em tecnologias de ponta, incluindo a construção de um prédio totalmente sustentável. A instalação conta com 164 painéis solares e iluminação 100% LED para uso noturno. Essa estrutura maximiza o uso da iluminação natural durante o dia, reduzindo o consumo de energia elétrica em aproximadamente 46%. Além disso, incorpora sistemas de captação de água para reúso, contribuindo para a sustentabilidade e otimização do consumo de recursos.

Veja entrevista exclusiva com Claudia Souza no nosso Instagram, clicando aqui.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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