Desperdícios com manutenção, pesadelo dos frotistas, podem ser evitados com inteligência artificial

06/10/2023

Despesa com manutenção está entre os itens que mais pesa no orçamento de um frotista. Mas o impacto desse gasto pode ser reduzido com o auxílio da tecnologia. O uso da inteligência artificial na gestão de operações logísticas permite identificar vícios e problemas que, quando corrigidos, diminuem a frequência de reparos necessários. Isso resulta na redução dos custos com oficinas e manutenção.

Em outras palavras, o que costumava ser considerado uma despesa rotineira está começando a ser reconhecido pelo que realmente é: um desperdício, como ressaltado pelo fundador e CEO da CargOn, Denny Mews. “Os gastos com manutenção podem representar 20% dos custos de uma frota, então reduzir isso é importante para a sustentabilidade financeira da empresa, sem contar os impactos socioambientais”, avalia o especialista.

Denny Mews, CEO da CargOn

A CargOn é uma empresa de tecnologia logística (logtech) que realiza a integração e automação de processos nas operações logísticas. Todos os documentos relacionados, como os dos motoristas, cargas e notas fiscais, passam por verificações, registros e acompanhamento. Além disso, a plataforma registra, processa e monitora o desempenho da frota, o tempo necessário e efetivamente utilizado nas operações, períodos de ociosidade dos veículos, entre outros dados e informações. Assim, embora a plataforma não faça a gestão da manutenção propriamente dita, ela fornece um leque de dados e diagnóstico para o aprimoramento de tal gestão.

EM TEMPO REAL

De maneira online, incluindo o uso de aplicativos móveis, todo o processo pode ser acessado em tempo real. Utilizando o aprendizado de máquina, a inteligência artificial identifica os gargalos e intervenções necessárias. Com esse monitoramento e a tomada de decisões precisas, ocorre uma redução no consumo de combustível e menor desgaste da frota. É nesse ponto que a necessidade de manutenção é minimizada, conforme destacado por Mews.

“Para implementar uma abordagem orientada por dados, Data Driven, é necessário ter todos esses elementos: organização e centralização de todas as informações logísticas, por meio de uma transformação digital, que é exatamente o que a CargOn realiza. Essa abordagem aprimora a governança, possibilita a otimização de cargas, a redução de custos, a diminuição de riscos e a mitigação de problemas, culminando, por fim, na satisfação do cliente”, detalha o CEO da logtech.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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