Crise do desabastecimento no varejo: 5 práticas para melhor a performance na gestão de estoque

16/12/2021

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A atenção sobre as cadeias de suprimento (supply chain) tem crescido nos últimos meses. Como efeito da pandemia iniciada em 2020, o desabastecimento passou a ser comum em vários setores industriais e, consequentemente, no varejo, fazendo as empresas buscarem agilidade e decisões mais assertivas para atender a demanda de seus mercados. Diante deste cenário, uma parte importante da vantagem competitiva de uma companhia atualmente está ligada à como ela se comporta em períodos de crise e na maturidade apresentada na sua gestão da cadeia de suprimentos.

Para mostrar os principais eixos no gerenciamento de uma cadeia de suprimentos de excelência, Luis Fernando Talib, gerente nacional de desenvolvimento da Slimstock, líder em software para gestão de estoque, mostra cinco pontos de uma operação que devem estar maduros para se evitar gargalos na cadeia de suprimentos. Confira:

Portfólio bem definido

Na gestão de estoque, um dos pontos mais importantes é estabelecer regras para a definição de um portfólio, determinando métricas para a inclusão e remoção de itens ou categorias. Mais do que uma variedade enorme de produtos, a empresa deve ter os itens certos para o seu público. Para acertar, é preciso mapear os itens que mais vendem, assim como o perfil de demanda dos itens do portfólio.

“Os produtos mais vendidos precisam estar sempre à disposição para não se perder vendas. Com essa finalidade, é fundamental aliar a inteligência do negócio com o auxílio de novas tecnologias, como uma plataforma que integre as lojas, no caso do varejo, por exemplo, com o estoque em tempo real, para garantir que o varejista não comercialize algo que não pode entregar. Esse processo é ainda mais vital em datas com maior procura como o Natal, quando aumentam as chances tanto de rupturas (falta de estoque) quanto de excesso de estoque”, avalia o especialista da Slimstock.

Preveja a demanda
Olhar atentamente os dados de vendas do seu negócio é a melhor forma de calcular e se antecipar às futuras demandas. Considerando que todos os produtos possuem algum tipo de padrão de demanda, é vital que esses padrões sejam constantemente monitorados e que tenham suas previsões ajustadas. “É prudente recorrer a soluções tecnológicas baseadas em algoritmos específicos que tragam maior precisam ao planejamento. Esses recursos consideram grupo de produto, localidade e canal de venda, além de mensurarem o total e frequência de comercialização dos itens”, indica o gerente nacional de desenvolvimento da Slimstock.

Controle de pedidos

Monitorar os pedidos de vendas é fundamental para identificar o momento mais adequado para o reabastecimento do estoque, além de evitar a compra de produtos indisponíveis. Apesar de parecer algo simples, muitas etapas demandam atenção entre os procedimentos adotados para a realização de uma venda, como o controle de itens em estoque, sua separação e envio. “A empresa pode se organizar melhor se essa gestão for dividida por pedidos pequenos e grandes, assim como segmenta-los pelo porte do cliente e, dependendo do perfil de atuação empresa, pela recorrência dos seus clientes”, recomenda Talib.

Gestão de fornecedores

O gerenciamento de fornecedores é uma das partes mais fundamentais da cadeia de suprimentos em quase todos os tipos de empresa, influenciando diretamente as operações de compra. “Se o fornecimento de produtos de uma organização falhar, as organizações podem ter grandes prejuízos”, alerta o executivo.

Para fazer esse controle de forma mais assertiva, o especialista da Slimstock recomenda que as companhias sejam capazes de se antecipar à demanda, a partir do auxílio de tecnologias especializadas, para evitar gargalos de fornecimento e rupturas. “Também é importante saber gerenciar o risco que existe na cadeia de suprimento. O ideal é encontrar um equilíbrio dentro de uma variedade de fornecedores, considerando o tempo de entrega, principalmente se exigir uma logística mais complexa, como no caso das importações, além do padrão de disponibilidade de itens que possam ser mais raros”, indica Talib.

Capital de giro
Muitos varejistas separam o planejamento de demanda do planejamento financeiro. Mas vender muito sem ter controle financeiro pode trazer grandes problemas. Portanto, um dos maiores cuidados que o varejista deve ter é garantir que o fluxo de caixa funcione da melhor maneira. Isso significa entender quanto da receita deverá ser convertida em estoque, considerando as dificuldades para reabastecimento de seu estoque.

“Sem esse cuidado, o empreendedor pode ficar sem fluxo de caixa para arcar com todo o seu custo operacional, que envolve principalmente parceiros e pessoas. A falta de um planejamento adequado pode aumentar as chances de o negócio quebrar ou precisar se endividar sem necessidade mesmo com uma ótima performance nas vendas”, completa o gerente nacional de desenvolvimento da Slimstock.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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