Construindo uma história de ensino e aprendizado

14/10/2019

Aduato Bentivegna Filho  – SETCESP

Há 35 anos o SETCESP inaugurou o seu setor de treinamento, na gestão do saudoso ex-presidente da entidade, Sebasitão Ubson Carneiro, e tendo como coordenador deste serviço o também saudoso Duglacy Antunes, que era empregado do SETCESP e tinha vasta experiência em treinamento profissional, já que havia passado pelo SESI/SENAI.

O objetivo dos cursos e treinamentos ministrados naquela época era a formação de motorista para o transporte de produtos perigosos, CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e outras obrigações legais mais atinentes ao pessoal operacional ou de departamento de pessoal. E esses cursos contribuíam para prevenir autuações do Ministério do Trabalho ou do Ministério do Transporte.

É importante destacar que o setor de treinamento do SETCESP foi o embrião do SEST/SENAT, que na presidência de Adalberto Panzan e sob sua liderança, em 1993 foi aprovada no Congresso Nacional a lei que deu vida ao Serviço Social do Transporte e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte, visando atender às necessidades dos empregados do setor e formar mão de obra qualificada. E, para viabilizar estes objetivos, muitos dos cursos que eram ministrados pelo SETCESP foram carreados graciosamente para a nova entidade, que passou a ser responsável pela formação de mão de obra a nível nacional.

Tal fato obrigou o setor de treinamento a inovar (e se reinventar), e a partir dos anos 1990 os cursos passaram a ser focados nos empresários, nos executivos e gestores das empresas de transportes, visando melhorar o profissionalismo, a prevenção contra autuações e o desenvolvimento pessoal.

Tanto foi assim que temas como planejamento tributário, terceirização de mão de obra, gestão e sustentabilidade, coach, entre outros, passaram a ocupar a grade de cursos da entidade, sendo que em 2018 realizamos 72 cursos e treinamos aproximadamente 700 alunos.

Em 2010, na gestão de Francisco Pelucio, inauguramos a ULT – Universidade Corporativa de Logística e Transporte, visando formar especialistas em gestão de transporte rodoviário de carga, que já está em sua 13ª turma e muito tem contribuído para o surgimento de executivos de qualidade na gestão das empresas.

Agora, o desafio na gestão do presidente Tayguara Helou é tornar a ULT em curso a distância (EAD), o que será um grande passo para abrangermos alunos de todas as partes do país e dar uma contribuição inestimável à formação de grandes profissionais em todo o território nacional.

Convido todos os leitores a conhecerem a grade de cursos do SETCESP em nosso site www.setcesp.org.br.

Adauto Bentivegna Filho – Assessor executivo da presidência e coordenador jurídico do SETCESP. Além de advogado, pós-graduado em Direito Processual, especialista em Direito Tributário pela APET – Associação Paulista de Estudos Tributários e mestrando em Direito na Universidade Autônoma de Lisboa Luís de Camões. Também é professor convidado da PUC-PR no curso de pós-graduação em transporte e professor da ULT – Universidade Corporativa de Logística e Transporte e ministra cursos nas áreas trabalhista e tributária em várias entidades de classe do setor de transporte rodoviário de cargas. Foi membro da Câmara de Esforço Legal do CONTRAN. Autor do livro “Barreiras Fiscais Estaduais: um entrave logístico” e coautor da obra “Aspectos Jurídicos do TRC – Transporte Rodoviário de Cargas”, ambos editados pelo SETCESP.

Mais informações estão disponíveis no site www.setcesp.org.br, ou pelo telefone 11 2632.1082, com Silmara Balhes.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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