Consórcio também é opção para compra de implementos rodoviários usados 

21/10/2022

Os implementos rodoviários foram o grande destaque das vendas de veículos usados no mês de agosto. Segundo dados da Federação Nacional de Distribuidoras de Veículos Automotores – Fenabrave, o segmento cresceu 18,75% na comparação com julho, a categoria com melhor resultado no período, de acordo com a entidade.

O movimento de alta do setor tem reflexo também no setor de consórcios. Hoje, 10% das cartas de crédito comercializadas pelo Consórcio Librelato, por exemplo, são utilizadas para a compra de implementos usados da marca.  

“O objetivo do Consórcio Librelato é oferecer ao cliente uma opção vantajosa para a compra dos produtos da marca e, como detentor do crédito, o consorciado pode optar por adquirir implementos novos ou usados na rede Librelato”, explica Manuel Bernardo, gerente comercial do Consórcio Librelato, administrado pela Ademicon, considerada a maior administradora independente de consórcio do Brasil em créditos ativos. 

O uso do consórcio para a compra de implementos rodoviários acontece da mesma forma tanto para usados como novos. O único detalhe é que o valor do usado deve ser igual ou superior ao saldo devedor da cota. “É uma decisão que depende muito da capacidade financeira de cada um, por isso oferecemos a opção. Para quem está iniciando um negócio e precisar fazer vários investimentos, às vezes, o implemento usado pode ser uma vantagem devido ao custo um pouco mais baixo. Por outro lado, o novo exige menos gastos com manutenção e, em geral, consome menos combustível. O importante é sempre avaliar o custo-benefício”, explica Bernardo.  

Modalidade em alta 

Um dos principais atrativos do consórcio é a ausência de juros, principalmente no atual cenário de Selic a 13,75% ao ano, encarecendo alguns tipos de financiamento. Além disso, na modalidade o cliente não precisa pagar nenhum valor referente à entrada. Além da mensalidade, a única cobrança que existe é da taxa de administração de cerca de 0,14% ao mês no Consórcio Librelato.  

Os dados mais recentes da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio (ABAC) mostram que, de janeiro a julho, mais de R$ 21 bilhões em créditos foram comercializados somente no segmento de veículos pesados – que inclui implementos rodoviários, agrícolas e caminhões. O valor supera em quase 17% o registrado no mesmo período do ano passado.   No Consórcio Librelato, a comercialização de créditos chegou a R$ 246 milhões de janeiro a agosto um crescimento de 48% na comparação com os mesmos meses de 2021. 

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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