Concessionária Via Trucks, da DAF, inaugura unidade no ABC

10/11/2020

Um ano após inaugurar sua primeira unidade em São Paulo, no município de Guarulhos, a Via Trucks, concessionária da montadora DAF Caminhões, dá início a um agressivo plano de crescimento no Estado. O primeiro movimento é a inauguração de sua segunda loja, desta vez em São Bernardo do Campo, na região do ABC, prevista para acontecer ainda no mês de outubro. O evento coloca em prática um planejamento estratégico que prevê a ampliarão da presença da companhia para Santos, ainda em 2021, e São José dos Campos e o Oeste Paulista ao longo dos próximos anos.

Com um investimento inicial de R$ 1,8 milhão, a Via Trucks passará a receber seus clientes no ABC em um espaço de aproximadamente 12 mil metros, que oferecerá 14 boxes normais, um Box Express e uma capacidade produtiva inicial para atender à passagem de 30 caminhões por dia, mas que oferece condições de triplicar este volume com o amadurecimento do projeto.

As obras de adaptação do ambiente foram iniciadas em julho deste ano e resultaram em um showroom de seminovos com capacidade inicial para 40 veículos em demonstração. O imóvel fica na marginal da Rodovia Anchieta sentido São Paulo, há 500 metros do rodoanel Mário Covas. Até 2018 ele abrigou a concessionária Ford Divepe, também especializada em caminhões.

De acordo com o CEO da Via Trucks, Sérgio Resende, a escolha de São Bernardo como base para o início do plano de expansão se deve à localização geográfica estratégica da região. Ele chama a atenção para o fato de que a nova loja fica muito próxima tanto do Rodoanel quanto da rodovia Anchieta, que é o principal acesso de veículos de carga ao Porto de Santos. “Essa localização privilegiada e a própria força econômica da região deve levar a unidade a produzir algo em torno de 25% de todo o faturamento da Via Trucks em São Paulo”, afirma.

Para isso, o Diretor Geral de Operação da Via Trucks São Paulo, Hovani Argeri informa que a unidade irá operar inicialmente com 25 colaboradores, sendo que este número deverá chegar a 100 funcionários quando o projeto estiver em sua plenitude. “Estamos contratando e treinando pessoas em nossa unidade em Guarulhos. Neste momento, o perfil procurado é o de profissionais ligados às funções operacionais de manutenção de veículos como mecânicos e eletricistas. Mas há oportunidades também para a área comercial”, explica.

A estrutura de vendas da Via Trucks conta com o financiamento via CDC, FINAME, leasing e a ‘Consórcio Via Trucks’, sua marca própria da modalidade que é administrada pela Maggi Administradora de Consórcios.

Além da venda de caminhões novos e seminovos da montadora Daf, a Via Trucks oferece manutenção, alinhamento e balanceamento de caminhões. Por meio do serviço denominado “Box Express” ela realiza também revisões em caminhões multimarcas. A Via Trucks possui ainda uma linha de autopeças multimarcas, chamada TRP. “Temos mais de 5.000 itens em estoque dos quais se destacam filtros, baldes de óleo, embreagens, lonas de freio e compressores de ar-condicionado como os mais vendidos”, diz Argeri.

A Via Trucks começou a operar no Brasil em 2013, a partir de sua unidade no munícipio de Contagem, em Minas Gerais, com a vinda da montadora DAF ao Brasil.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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