Como a tecnologia touchless tem revolucionado o varejo brasileiro

13/04/2022

O avanço da digitalização trouxe impactos nos hábitos dos consumidores. Esses, além de estarem mais tecnológicos, agora têm mais acesso a informações e exigem um atendimento personalizado, mesmo que ele seja remoto ou autônomo. Diante disso, cada vez mais varejistas estão utilizando self-checkout, terminais de autoatendimento, biometria facial, delivery, entre outros — conhecendo melhor seus clientes e, ainda, oferecendo uma experiência com menos contato e mais praticidade.

A biometria e o autoatendimento, por exemplo, são algumas das alternativas que estão ganhando espaço nesse novo cenário touchless. Uma nova pesquisa da Visa, em parceria com a AYTM Market Research, buscou entender a percepção dos consumidores em relação a uma das formas de tecnologia sem contato: a autenticação por biometria. A cada dez consumidores entrevistados, nove estão familiarizados com a biometria. O levantamento mostrou que os brasileiros têm uma forte percepção de que a biometria é mais rápida (85%), segura (48%) e mais fácil de utilizar (89%) do que senhas.

É essa praticidade e segurança que aparecem entre os principais benefícios atribuídos pelos usuários ao uso da Payface em recente pesquisa realizada pela empresa. A startup, que utiliza reconhecimento facial para proporcionar um pagamento sem filas em supermercados e farmácias, aposta em uma mudança drástica dos pontos de venda. “Considerando que ainda é uma tecnologia nova no país e que está começando a ser aplicada em diversos setores, os dados das últimas pesquisas mostram que há um interesse crescente e muita oportunidade para a aderência da tecnologia entre os brasileiros”, explica Eládio Isoppo, CEO e cofundador da fintech. Em três anos de atuação, a startup já tem projetos implementados em varejistas dos estados de Santa Catarina, Bahia, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Usando apenas o rosto, o consumidor pode fazer suas compras e, ainda, se identificar nos programas de fidelidade das redes para ter acesso a ofertas e benefícios exclusivos, sem precisar estar portando o cartão ou celular. No início do processo de checkout, o consumidor se posiciona em frente a um dispositivo móvel instalado junto ao caixa e faz a sua identificação com o rosto. Então, com a validação pelo sistema, o atendente, do outro lado, confirma o valor e finaliza a compra com a autorização do usuário.

Outra empresa que vem trabalhando com meios touchless é a Eyemobile, startup que oferece soluções para vendas físicas e digitais. Além de alternativas de autoatendimento, a empresa atua com pagamento feito sem dinheiro ou cartões. Nesse método, a transação financeira pode abranger várias tecnologias, sendo as mais comuns um aplicativo NFC ou uma pulseira ou cartão RFID. No primeiro caso, o app do cliente se comunica com o dispositivo inteligente de frente de caixa do estabelecimento para o pagamento; enquanto, no segundo, o cliente inclui créditos no estilo pré-pago nas pulseiras ou cartões e os aproxima do leitor de RFID para que o valor seja debitado.

“Embora essa tecnologia pareça distante da realidade de vários empreendedores, ela pode ser aplicada em qualquer tipo de estabelecimento sem altos custos. No Brasil, ainda está começando, mas em países como a Dinamarca e a Suécia, a modalidade já está muito forte em comércios”, explica João Pompeo, CEO da Eyemobile. O touchless tem como benefícios a eliminação de filas e a modernização dos negócios, bem como a redução das chances de roubo de senhas, de falsificações de cédulas e de fraudes.

Pioneiro em ferramentas touchless, o Super Muffato, rede paranaense com mais de 80 lojas e uma das seis maiores do país, foi a primeira a trazer o self checkout para o Brasil, em 2012. A empresa também lançou, em 2019, a tecnologia de Shop&Go, que permite compras por celular mesmo em loja física, sendo realizada sem filas e 100% por meio de autoatendimento. “A inovação sempre foi um dos nossos focos, o que acabou fazendo com que nós sempre estivéssemos aderindo às ferramentas que diminuem o toque, porque elas trazem mais agilidade e segurança pros nossos consumidores”, conta Everton Muffato, diretor executivo e sócio do Grupo Muffato. Em maio de 2021, a rede implementou mais uma novidade, tendo a primeira loja no Paraná a contar com tecnologia de pagamento com o rosto.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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