Defasagem no preço do diesel acende alerta para risco de adulteração e exige atenção do consumidor, alerta Sindilub

A preço do diesel voltou ao centro das atenções no Brasil diante da recente defasagem entre os valores domésticos e o mercado internacional. Segundo especialistas do setor de combustíveis, esse tipo de distorção pode ampliar o risco de fraudes ao longo da cadeia de distribuição, afetando diretamente consumidores, transportadores e gestores de frota.

De acordo com Thiago Castilha, diretor da Lepam – fabricante de bombas de combustíveis do Grupo WMP – e diretor de comunicação e relações institucionais do Sindicato Interestadual do Comércio de Lubrificantes – Sindilub, a adulteração do diesel ocorre, em geral, pela adição de substâncias mais baratas com o objetivo de aumentar margens de lucro de forma ilegal. “Entre os principais adulterantes estão solventes, frações leves de petróleo e óleos residuais. Em alguns casos também ocorre o uso de biodiesel fora das especificações ou em proporções diferentes das permitidas. Essas alterações comprometem propriedades fundamentais do combustível, como estabilidade, segurança e desempenho”, explica.

Além disso, não existe um único método de adulteração, mas o objetivo econômico é recorrente: reduzir custos de forma fraudulenta, comprometendo a qualidade do produto final.

Impactos da adulteração do diesel em veículos e frotas

A adulteração afeta parâmetros técnicos essenciais, como ponto de fulgor, viscosidade, número de cetano, presença de água e estabilidade química. Na prática, isso interfere diretamente no funcionamento dos motores. “Quando o diesel está fora das especificações, a combustão tende a ser menos eficiente. Isso pode aumentar o consumo, gerar falhas em filtros e sistemas de injeção e até reduzir a vida útil do motor”, afirma Castilha.

Essas irregularidades, por sua vez, costumam ocorrer em etapas da cadeia logística onde há manuseio do combustível, como transporte, armazenamento e abastecimento, o que exige maior controle operacional.

Sinais de alerta e medidas de controle na cadeia logística

Embora a confirmação da adulteração dependa de análises laboratoriais, alguns indícios podem servir de alerta para consumidores e frotistas. Entre eles estão alterações na aparência do diesel, presença de água ou turbidez, aumento inesperado no consumo, falhas recorrentes em filtros e injetores, além de preços muito abaixo da média de mercado.

Segundo o especialista, testes de campo podem levantar suspeitas, mas a confirmação exige avaliação técnica de parâmetros como curva de destilação, viscosidade, número de cetano e estabilidade do combustível.

Além dos danos mecânicos, a adulteração também gera impactos econômicos relevantes, estando frequentemente associada à sonegação fiscal, concorrência desleal e perda de arrecadação pública. Por isso, o fortalecimento de mecanismos de controle é considerado essencial.

Entre as medidas mais eficazes estão sistemas de rastreabilidade por lote, boletins de conformidade, monitoramento de água em tanques, registros documentais e auditorias periódicas de fornecedores e transportadores. “Tecnologias como sensores de água, monitoramento remoto e sistemas digitais de rastreabilidade ajudam a reduzir o espaço para fraudes e aumentam a transparência no abastecimento”, afirma Castilha.

Diante desse cenário, períodos de maior diferença entre preços domésticos e internacionais tendem a exigir vigilância redobrada. Consumidores e empresas, portanto, devem priorizar fornecedores confiáveis, manter registros de abastecimento e monitorar qualquer alteração no desempenho dos veículos.

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