Comfrio amplia portfólio e anuncia investimentos de R$ 90 milhões em 2024

18/04/2024

A Comfrio, uma das maiores empresas brasileiras em soluções de logística refrigerada nos setores de alimentos, food service e agronegócio, com clientes como Corteva, Bayer e Syngenta, registrou alta de 17% das suas receitas e de 70% do Ebitda em 2023. 

Os resultados anuais são os primeiros anunciados após a empresa passar a ser controlada pelo terceiro fundo de private equity do Aqua Capital. Com capitalização, alongamento do perfil da dívida e compra de uma parcela minoritária da empresa pelo próprio time de gestão, mais de R$ 400 milhões foram injetados na empresa. 

Para 2024, a perspectiva de crescimento é positiva. A empresa tem investimentos confirmados de R$ 90 milhões para o ano, dos quais R$ 25 milhões vão para a compra de equipamentos de movimentação, principalmente empilhadeiras, e aproximadamente R$ 30 milhões para a expansão da atuação da companhia no Brasil. Com a compra de equipamentos, no lugar do aluguel, a empresa vai economizar cerca de R$12 milhões por ano.  

Com isso, a Comfrio busca ampliar ainda mais seu portfólio de clientes, reconhecido pela qualidade e por reunir as maiores companhias do país. Ao longo de 2023 e no primeiro bimestre de 2024, a empresa fechou novos contratos com grandes empresas e líderes dos setores de lácteos, proteína animal, food service e agro, segmento no qual atua com a armazenagem de sementes transgênicas de milho, e é líder de mercado, e soja.  

Segundo Sidney Catania, CEO da Comfrio, o novo momento é de muito otimismo: “Nos últimos 10 anos, mesmo com os desafios causados pela volatilidade da economia brasileira e pelos efeitos da pandemia, a empresa foi hábil em construir uma sólida relação com seus clientes em todos os segmentos que atua, muito calcado nos níveis de serviço e inovação. Com a economia brasileira apresentando sinais positivos, vamos continuar crescendo juntamente com os nossos clientes, agora com uma estrutura de capital mais sólida”, afirma.  

Além dos investimentos em equipamentos e expansão, a companhia também injetará recursos em tecnologia da informação, apostando cada vez mais na conectividade com os seus clientes, e em sustentabilidade. Atualmente 90% da energia utilizada nos armazéns da Comfrio está contratada para um período de cinco ou mais anos no mercado livre e investimentos em captação de energia solar foram realizados em estados como São Paulo e Paraná. Nos últimos três anos, a empresa deixou de gerar oito mil toneladas de CO2 o que equivale a 55 mil árvores, fruto de um projeto de reflorestamento. 

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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