Com aumento do e-commerce, terrenos logísticos são opções rentáveis de investimentos

18/08/2020

Com o isolamento social, as vendas pela internet no Brasil cresceram mais de 70% nos últimos meses, segundo dados do índice MCC-ENET. As empresas precisaram se adaptar ao novo cenário, muitas migraram para o e-commerce e outras foram abertas já como lojas virtuais. Com isso, a tendência é que aumente a demanda por Centros de Distribuições estrategicamente bem localizados para estocar os produtos e agilizar as entregas.

Analisando este cenário, o especialista do mercado imobiliário e diretor da Sort Investimentos – empresa que atua na seleção e gestão de imóveis com foco no investidor dos diferentes perfis –, Renato Monteiro, avalia que a compra de terrenos destinados à locação, voltados para o setor de logística, se tornaram investimentos ainda mais atrativos para quem pensa em diversificar a carteira. O retorno com aluguel de terrenos específicos para este setor foi o que menos sofreu em relação aos aluguéis imobiliários em consequência da pandemia e, mesmo no atual momento de crise, superam a taxa de 90% de ocupação.

“Com o aumento expressivo do e-commerce e a consequente concorrência de mercado haverá cada vez mais a necessidade de migração de instalações antigas para imóveis logísticos modernos, para dar mais eficiência e economia de tempo para o processo. Isso propiciará um forte aumento de demanda para galpões de construções novas e, além disso, a aquisição de terrenos neste setor tem indicativos certos de valorização e, consequentemente, lucratividade”, analisa Monteiro.

É por esse motivo que, para o investidor, comprar para alugar terrenos é mais vantajoso do que adquirir galpões prontos para locação. De acordo com o especialista, quanto mais evolui o setor de vendas online, mais tecnologia é necessária nos Centros de Distribuições e mais as empresas precisam de instalações modernas. Um galpão com mais de mil metros quadrados, por exemplo, é construído atualmente com pré-moldados em até 90 dias.

Com isso, terrenos com bom eixo logístico, como os localizados às margens de rodovias estratégicas, tendem a ter um dos mais altos índices de valorização do setor imobiliário nos próximos 15 anos, prevê Monteiro.

“O que determina o crescimento das empresas do varejo é a velocidade de entrega. Um exemplo é a Amazon, que é grande não porque tem mais produtos, mas porque entrega mais rápido. Essa transformação da loja física para a virtual já vinha acontecendo ao longo dos anos e, com a pandemia e o isolamento social, esse processo de transformação apenas acelerou. O setor logístico veio para ficar e deve crescer ainda mais, pois as demandas só aumentam”, finaliza o diretor da Sort Investimentos.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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