A importância da logística eficiente na economia da experiência

Costumamos tratar a logística como uma engrenagem operacional, ou seja, necessária, mas invisível. Erro crasso.

Na economia da experiência, cada entrega é um touchpoint emocional, e cada interação com o cliente, um momento de verdade capaz de impulsionar ou destruir reputações.

A experiência de entrega deixou de ser apenas sobre receber uma encomenda. Ela abrange desde a pontualidade e a condição em que o item chega, até a comunicação realizada durante o processo. E, se houver falhas, é preciso ser transparente e aproveitar as oportunidades para reconquistar a confiança do cliente.

As expectativas dos clientes evoluíram de “entrega rápida” para experiências integradas que combinam velocidade e personalização. Dados da PwC revelam que 73% dos consumidores consideram a experiência pós-compra tão crucial quanto o produto em si, sinalizando uma mudança estrutural na equação de valor das organizações.

Estudos de mercado demonstram que a ineficiência logística custa às empresas brasileiras até 12% do faturamento anual, considerando devoluções, substituições e perda de clientes. Em contrapartida, operações otimizadas geram: aumento de 18% na taxa de recompra; redução de 40% nos custos com atendimento ao eliminar retrabalhos; e crescimento de 25% no lifetime value por fidelização eficaz.

Com a mudança de expectativa por parte dos clientes, a obsessão por prazos curtos virou commodity. O diferencial está em orquestrar surpresas positivas: um entregador que antecipa o horário de chegada via SMS personalizado, embalagens que contam a história da marca ou até um voucher de desconto após um imprevisto são pequenas atitudes que encantam.

Imagine o seguinte: uma encomenda chega com avarias no cliente. A reação mais comum seria pedir um reembolso imediato. Mas, mesmo com o problema, há uma bela oportunidade ali. Por que não enviar um novo item junto com um sincero pedido de desculpas? Esse simples gesto poderia transformar detratores em embaixadores – e custa bem menos do que investir em campanhas publicitárias, por exemplo.

Portanto, sempre há oportunidade para ganhar a confiança do cliente para não o perder. É preciso sempre estar atento a esse tipo de situação.

Outro ponto fundamental é saber ouvir o cliente. Monitorar OTIF (On Time In Full) é básico. Empresas realmente preocupadas em atender bem devem medir: quantos clientes elogiam espontaneamente o processo de entrega? Qual é o impacto financeiro de uma reclamação mal resolvida nas redes sociais? Como o NPS (Net Promoter Score) se correlaciona com a taxa de recompra?

Algumas atitudes para um bom atendimento podem ajudar a reter clientes. Mesmo podendo parecer algo óbvio, muitas vezes são ignoradas pelas empresas:

– Seja rápido em dar retornos: clientes valorizam quando suas dúvidas são respondidas rapidamente. Para isso, é fundamental usar sistemas de rastreamento de pedidos e manter os clientes informados, além, é claro, de treinar a equipe para responder rapidamente às dúvidas e questionamentos;

– Sempre se coloque no lado do cliente: ter empatia é fundamental. Mostrar que você se importa faz toda a diferença. Isso demonstra que ele é realmente importante para a empresa;

– Foco na resolução de problemas: proponha soluções para resolver contratempos de forma eficaz.

Um estudo da McKinsey revela que empresas que aliam eficiência operacional a experiências memoráveis crescem 2 vezes mais rápido que a média do mercado.

O desafio estratégico, agora, é transformar Centros de Distribuição em centros de inteligência relacional, onde cada palete carrega não apenas produtos, mas capital reputacional. Todos devem saber a importância do seu trabalho dentro da empresa e agir como donos do negócio, buscando a todo momento ter como objetivo final encantar o cliente.

Um bom atendimento ao cliente não serve apenas para resolver problemas, ele deve ser encarado como algo para criar vínculos com os clientes.

Em mercados altamente competitivos como o de Varejo e de Logística, o atendimento pode ser aquilo que fará a sua empresa ser mais atraente do que o seu concorrente. Portanto, não dá mais para encarar o atendimento ao cliente como algo operacional. É estratégico!

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Agapito Sobrinho, presidente da BBM Logística

Agapito Sobrinho

Presidente da BBM Logística, onde foi diretor comercial por mais de oito anos. Possui 35 anos de experiência como líder de gestão de transporte, logística e Supply Chain. Teve passagem pela área logística da Nestlé (por 16 anos) e foi diretor executivo na Stocktech de 2005 a 2015.

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