Centrovias encerra atividades e divulga balanço das operações realizadas

08/06/2020

Desde às 0h00 da última quinta-feira (4), o trecho de 216,8 quilômetros de estradas, que contempla as rodovias Washington Luís e SP-225, no interior paulista, deixou de ser administrado pela concessionária Centrovias e passou a integrar a nova concessão que abrange o corredor rodoviário Piracicaba-Panorama (PiPa), da Eixo-SP, sob a fiscalização da Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo).

Em 22 anos de administração, a Centrovias colaborou com o desenvolvimento econômico dos 12 municípios do entorno de sua malha viária, sendo o trecho da SP-310 (Washington Luís) de Cordeirópolis a São Carlos; e a SP-225 (Engenheiro Paulo Nilo Romano) de Itirapina a Jaú e a SP-225 (Comandante João Ribeiro de Barros) de Jaú a Bauru.

“Temos certeza que o ciclo foi fechado com um saldo muito positivo, principalmente por beneficiar diretamente o usuário que utiliza as rodovias do trecho”, destaca a diretora geral interina, Renata Dantas. “Vamos agora iniciar uma nova etapa, novos desafios que possibilitarão grandes conquistas sempre prezando pelo conforto e segurança viária.”

Durante a transição, a Centrovias atuou para garantir a empregabilidade de seus colaboradores, possibilitando a transferência de cerca de 80% do quadro de funcionários para outras concessionárias do seu Grupo ou para a realocação em acordo com a Eixo-SP.

Balanço de ações

Durante o período sob administração da Centrovias, foram investidos R﹩ 3,7 bilhões em obras, tais como a duplicação de 144 quilômetros da SP-225, de Itirapina a Bauru, obras de reformulação da Ponte Sobre o Rio Tietê, da hidrovia Tietê-Paraná e a reformulação do trevo da entrada do município de Jaú. Além disso, houve a construção de vias marginais, 22 novas passarelas, obras de melhoria em pontes e viadutos, readequação de dispositivos de acesso e retorno, como o trevo de ligação das rodovias SP-310 e a SP-225, em Itirapina, por exemplo. Ao final da concessão, a Centrovias deixa a marca de 55% de redução de acidentes com vítimas fatais.

Para além da rodovia, a empresa desenvolveu projetos junto às cidades lindeiras, como o Projeto Escola Arteris, quando capacitou 3.235 educadores e atendeu mais de 53 mil alunos de escolas públicas com investimento na humanização do trânsito. Campanhas de conscientização com pedestres, ciclistas, motociclistas, motoristas e caminhoneiros. Além disso, foram repassadas às prefeituras mais de R﹩ 386 milhões via ISSQN (imposto sobre serviço de qualquer natureza), destinados à construção de escolas, hospitais ou outras melhorias a cargo do poder executivo em cada localidade.

Nova concessão

O trecho até então administrado pela Centrovias integrará o corredor rodoviário PiPa, que vai de Piracicaba, na região de Campinas, até Panorama, no extremo oeste do estado, e engloba 62 municípios totalizando 1.273 quilômetros de estradas. A nova concessão investirá ao longo do período contratual, de 30 anos, R﹩ 14 bilhões, sendo que cerca de R﹩ 1,5 bilhão aportados já nos dois primeiros anos.

Em toda a extensão do corredor rodoviário, o plano de modernização e obras inclui a construção de 600 quilômetros de duplicações e novas pistas (contornos urbanos). Também haverá faixas adicionais e vias marginais, obras que melhoram a fluidez, o escoamento da produção regional e a segurança viária. A concessão também prevê inovações do ponto de vista econômico, tecnológico e de segurança viária, como o Desconto de Usuário Frequente (DUF), modelo inédito no Brasil que irá beneficiar os motoristas que utilizam o trecho rodoviário com mais frequência. Haverá ainda desconto de 5% para os usuários do pagamento automático.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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