CBRE prevê que omnichannel deve acelerar mudanças no setor de imóveis para empresas varejistas em 2020

18/11/2019

Mesmo com a expansão das lojas virtuais, apostar apenas no comércio on-line pode ser um erro estratégico para as varejistas. Essa é a principal conclusão do estudo Cenário do E-Commerce no Mercado Varejista, publicado pela CBRE, empresa líder mundial em Commercial Real Estate Services. De acordo com o levantamento, ainda que as empresas estejam ampliando seus potenciais na Web, a capacidade de unir lojas físicas e virtuais de forma eficaz ainda é a principal maneira de o comércio varejista proporcionar experiências positivas a seus clientes.

O estudo destaca que, apesar de o volume de compras on-line ter crescido 24,1% no mundo em 2018, as lojas físicas precisam sobreviver para o bem do negócio e indica que apostar apenas no comércio eletrônico pode comprometer os resultados dos negócios. Ainda que a experiência virtual esteja crescendo, mais de 70% das transações diárias são realizadas no comércio físico. O objetivo, portanto, é cada vez mais interligar e mesclar os canais de atendimento e venda, com as marcas presentes em todas as plataformas de vendas.

“Esse novo cenário varejista vem recebendo o nome de NewCommerce, e define a capacidade do mercado em propagar o Omnichannel, ou a interligação completa de seus canais de venda”, diz Fernando Terra, diretor de Industrial Latam da CBRE. No Brasil, as principais categorias com forte presença no e-commerce são entretenimento, turismo/serviços e bens duráveis e os setores mais procurados são de perfumaria e cosméticos, remédios, pet care, bebidas e alimentos não-perecíveis.

Todas estas condições, por sua vez, geram mudanças importantes para as lojas. Hoje, os consumidores estão mais em busca de experiências do que prateleiras: eles procuram lojas e produtos diferenciados, querem sites fáceis de navegar, segurança garantida no pagamento, agilidade e comodidade na entrega do produto. “O consumidor possui uma jornada muito complexa. Uma compra pode se iniciar com uma experimentação na loja física, ser pesquisada no smartphone e concluída no desktop. Por outro lado, um consumidor digital, muitas vezes visita a loja física em busca de mais informações e experiência sobre o produto”, afirma o executivo. Nesse cenário, os varejistas precisam se preparar para oferecer atendimento de excelência tanto nas lojas físicas como nas virtuais.

Dentre as experiências que podem ser oferecidas, o relatório destaca as vantagens da opção de retirar mercadoria em loja. “Além da retirada na loja reduzir o tempo de entrega, pode ajudar o varejista no aumento do ticket médio daquele consumidor, que pode verificar outros produtos para compra imediata no PDV”, explica.

O futuro dos mercados varejistas está exatamente no Omnichannel – uma estratégia que une todos os canais de contato com o cliente para funcionarem como uma orquestra, fornecendo uma melhor experiência para os consumidores. As práticas de estreitar os métodos de atendimento da empresa também são o caminho para conquistar a tão desejada fidelização dos clientes.

Para auxiliar nessa transformação, o setor conta com a forte presença da tecnologia. Machine Learning, robótica, visão computacional, Internet das Coisas e operações on-line colaboram com o gerenciamento de estoques, controlando o fluxo de entrada e saída de produtos, gestão das mercadorias, distribuição de produtos e até o serviço oferecido no pós-atendimento.

Impacto no setor Imobiliário

“Ter acesso a um gerenciamento especializado e consultoria estratégica é a chave para localizar e manter locais que permitam reduzir custos de entregas e devoluções, centros de distribuição que sejam perto o suficiente das cidades, mas em zonas com preços mais acessíveis. Outra vantagem será a estrutura dos espaços, com galpões multifuncionais, capazes de conservar variados produtos em todas suas necessidades”, afirma Terra.

Já as lojas físicas precisam ser pensadas para promover uma experiência real e marcante para o consumidor. Um ambiente bem montado, acessível e completo ajuda a vendar a identidade da marca e seus produtos.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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