Caminhoneiros apontam investimento em tecnologia como essencial para segurança nas estradas

11/05/2023

A campanha Maio Amarelo, que alerta para o alto índice de acidentes de trânsito, está completando 10 anos, e ainda há muito trabalho pela frente quando o assunto é segurança nas estradas e redução de acidentes.

Segundo o DATASUS, o trânsito ainda mata mais de 33 mil pessoas por ano no Brasil, e o país não tem conseguido cumprir o compromisso internacional com a ONU de reduzir pela metade o número de mortes até 2028. Só no Estado de São Paulo, as mortes no trânsito, que vinham caindo, voltaram a subir, no ano passado. Nas rodovias federais, acidentes com caminhões representam 47% do total (Anuário Estatístico da PRF 2022).

Para conscientizar os motoristas e oferecer soluções de transporte cada vez mais seguras, a LOTS Group, empresa de logística do grupo Scania, realizou, em abril deste ano, a pesquisa “Segurança nas Estradas”, com 291 motoristas de caminhão que fazem parte do quadro de colaboradores da companhia.

“Em todas as nossas operações, Segurança é a prioridade número um, não há nada mais importante. Investimos muito em treinamentos e na conscientização do nosso time e utilizamos a pesquisa como termômetro para avaliar o nível de percepção de risco dos nossos colaboradores, além da eficácia de nossas medidas preventivas. Entendemos que condutores conscientes e com boa percepção de riscos, adotam comportamentos seguros, colaborando não só para a sua própria segurança, mas para um trânsito melhor para todos.”, explica Fernando Valiate, COO da LOTS Group Latin America.

Tecnologia

Para monitorar a frota e evitar falhas e imprudência, a LOTS Group investe em diversas tecnologias voltadas à segurança de suas operações como georreferenciamento dinâmico, monitoramento de estradas, gestão de pneus, vídeo monitoramento, telemetria, entre outras. Todos os veículos do grupo são conectados e possuem monitoramento 24h por dia para maior segurança e tomadas de decisão em tempo real.

Na pesquisa “Segurança nas Estradas”, os caminhoneiros apontaram o checklist virtual do veículo (87,2%), procedimento realizado pelo motorista por um tablet que verifica diversos pontos do caminhão para atestar que o veículo está apto para iniciar o turno, além da manutenção dos equipamento em dia, como as principais soluções de segurança. Em seguida, estão as câmeras de monitoramento de fadiga instaladas dentro do veículo (70,3%).

“Utilizamos a tecnologia como ferramenta para alcançar melhorias. Fomos pioneiros ao investir nas câmeras de monitoramento inteligentes no Brasil, em um período em que nem mesmo nossos clientes percebiam o valor das mesmas. Hoje, após 5 anos, não só provamos o seu valor para nossos clientes, como também ajudamos a criar uma nova percepção de valor em todo o mercado de transportes. As câmeras captam os movimentos do motorista e todas as suas ações dentro do caminhão por meio de inteligência artificial. Elas monitoram se o condutor está distraído, desviando o foco da estrada, cansado, com sono, sem uma das mãos no volante, ou até mesmo utilizando o celular. Após a implementação da tecnologia, constatamos a diminuição de 100% do uso do celular, que é considerada a terceira maior causa de mortes no trânsito no Brasil, diminuímos em 87% a ocorrência de fadiga além de reduzirmos em 78% o excesso de velocidade. Estamos celebrando cinco anos de atuação aqui na nossa região, Brasil, Chile e Peru, e não possuímos nenhum acidente fatal ou mesmo acidente pessoal grave com nossos colaboradores, isso graças à forte cultura de segurança que implementamos em nossas operações.”, revela o executivo.

Ele ressalta ainda que todos os condutores da empresa passam por treinamentos rígidos antes de iniciarem os trabalhos na empresa e anualmente há capacitações para reciclagem de direção segura e responsável. Além disso, o grupo tem uma parceria com o SEST SENAT e oferece um curso online gratuito para qualquer pessoa que queira aprender mais sobre direção segura e eficiente, saiba mais aqui.

Pesquisa

Para a maioria dos caminhoneiros (79,7%,) que responderam o questionário “Segurança nas Estradas”, o uso de cinto de segurança foi apontado como o principal item de segurança, inclusive, para evitar lesões graves e até a morte em casos de acidentes. Em seguida estão: não fazer ultrapassagens proibidas (71,4%), não dirigir com sono ou cansado (57,2%), não ultrapassar a velocidade permitida (52,1%) e manter em dia a revisão e manutenção do veículo (32,8%).

O motorista Gilberto dos Santos, 43 anos de idade, que está há dez anos na profissão e há pouco mais de 2 anos na LOTS Group, conta que já viu muitos acidentes terríveis nas estradas e a maioria por imprudência. “Não adianta ter pressa pra chegar e apertar o acelerador, dirigir com sono e exausto ou ingerir químicos para não dormir. Isso coloca em risco a vida não apenas de nós, motoristas, mas de passageiros e pedestres”, destaca ele, que nunca se envolveu em acidentes.

Estradas

Cada motorista precisa fazer a sua parte para um trânsito mais seguro, no entanto, a qualidade da malha viária e sinalização também são essenciais. Para os motoristas entrevistados pela LOTS, as rodovias bem sinalizadas (92,8%), conscientização dos motoristas (87,6%), manutenção do asfalto (65,5%) e fiscalização adequada (25,9%) também interferem diretamente na segurança e respeito nas estradas.

“Nós precisamos fazer a nossa parte, cumprindo as leis de trânsito e dirigindo com respeito e consciência, por isso, acreditamos que investindo na formação e capacitação do nosso time estamos formando também melhores cidadãos, que serão exemplos para outros. Porém, sabemos que as más condições das vias, a falta de sinalização ou a sinalização insuficiente, e até mesmo a falta de fiscalização em pontos críticos, também são cruciais, pois além do comportamento seguro, um ambiente seguro é importante para reduzir acidentes. Por isso, todos os anos fomentamos uma reflexão profunda no mês do Maio Amarelo, onde condutores, empresas, poder público, e a população precisam refletir sobre o seu comportamento e atuar juntos para construirmos um trânsito mais seguro para todos.”, finaliza Fernando

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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