Atraso faz Brasil perder para outros países investimentos em terminais

10/09/2015

A demora do governo em lançar licitações para os terminais portuários públicos do país está forçando a migração, para outros países, de investimentos antes programados para o Brasil.

A APM Terminals, que movimenta carga em portos e pertence ao conglomerado dinamarquês Maersk, tem aprovado um plano de investimentos até 2017 de quase R$ 10 bilhões (US$ 2,5 bilhões) para investir na América Latina. Nessa previsão, estão terminais no Brasil, principalmente de contêineres nas regiões Norte e Nordeste.

Eles fazem parte de uma lista de 160 áreas dentro de portos administrados por estatais que o governo vem prometendo, pelo menos desde 2012, colocar em leilão –nenhum ainda foi marcado. Enquanto isso, a empresa vai fazendo aquisições em outras regiões das Américas.

No México, estão sendo aplicados US$ 900 milhões (R$ 3,5 bilhões) num novo terminal para transporte de contêineres em Michoacán.

Em julho, a empresa assinou contrato para um novo terminal em Cartagena (Colômbia) de US$ 200 milhões (R$ 750 milhões).

Nesta terça (8) foi anunciada a compra pela APM do espanhol Grup Maritim TCB, que tem participação em dez terminais na América Latina, entre eles o TCP (Terminal de Contêineres de Paranaguá), no Paraná.

A APM já vem aplicando grandes somas de recursos em terminais que administra no Brasil, como o BTP, em Santos (SP), e o terminal de Pecém (CE), segundo o diretor de Novos Negócios da APM na América Latina, Julian Fernandez.

Somente no terminal da capital do Ceará, segundo ele, foram aplicados R$ 60 milhões em novos equipamentos no ano passado.

FICANDO PARA TRÁS

O maior problema na demora dos leilões é que os investimentos em outras áreas fora do país vão se consolidando e, com eles, as rotas dos navios que transportam cargas ao redor do mundo.

Segundo Fernandez, os investimentos que vêm sendo feitos em outras regiões não impedirão que a empresa analise e invista nos terminais no país. “Gostaríamos de ter os editais para analisar”, afirma o executivo.

Para ele, o mais importante é que os projetos no Brasil, quando saírem, tenham viabilidade econômica e garantam segurança jurídica para os investidores. “Se isso estiver garantido, vamos atrás de recursos para investir”, afirmou.

No entanto, os leilões que estavam mais adiantados –um grupo de 29 áreas em Santos (SP) e na região de Belém (PA) – tiveram de ser reestudados. Para o restante das 160 áreas, os primeiros estudos ainda estão sendo feitos.

A previsão é que os investimentos para transformar ou ampliar essas áreas cheguem a R$ 12 bilhões.

A Secretaria de Portos informou, em nota, que foi necessário mudar a forma dos arrendamentos devido a recomendações do TCU (Tribunal de Contas da União) e também para que fosse possível racionalizar o formato das concorrências.

De acordo com a nota, 8 áreas prioritárias deverão estar prontas para a concorrência ainda neste ano e outras 42 vão ser licitadas até 2016.

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