Uma corrida para o Norte

16/03/2014

Enquanto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) financia a construção de terminais nos portos de Mariel, em Cuba, e Rocha, no Uruguai, a BR-163, que liga Cuiabá-MT a Santarém-PA, virou um lamaçal nesta época de chuvas na Amazônia. Mesmo assim, as empresas nacionais e multinacionais que trabalham com o agronegócio tentam escoar boa parte da supersafra do Centro-Oeste por esse que há muito tempo deveria ser um dos mais importantes corredores logísticos do País, pois inclui o aproveitamento da hidrovia Tapajós-Amazonas.

Se a estrada já tivesse sido asfaltada, os ganhos de frete, tempo e eficiência logística seriam muitos – cerca de 35%  – , em comparação com o percurso que a maioria dos caminhões faz em direção aos portos de Santos-SP e Paranaguá-PR, enfrentando o dobro de tempo e rodovias e vias de acesso à zona portuária completamente congestionadas. Em compensação, os caminhões que optam pela direção Norte têm de enfrentar riscos de derrapagens, quebra de peças, atoleiros e ainda o dobro do tempo que a quilometragem exigiria se a viagem fosse feita em asfalto.

É claro que a pavimentação da BR-163 já resolveria grande parte dos problemas, mas o percurso não termina na rodovia de terra batida porque os caminhões precisam seguir até Miritituba, distrito de Itaituba-PA, onde o transbordo da carga é feito para barcaças que descem o rio Tapajós até os portos de Santarém-PA e de Vila do Conde, no município de Barcarena-PA, ou ainda Santana, no Amapá. De terminais, a carga é transferida para navios Panamax que seguem para a Europa e Ásia.

Mesmo sem a contrapartida do governo federal, empresas como a Bunge e a Cargill têm investido em terminais na região. Algumas, é verdade, até congelaram investimentos, já que esperam o asfaltamento da BR-163 há quase duas décadas. Mas, seja como for, levando em conta o potencial dessas multinacionais, com certeza, a médio prazo, o que se prevê é que o escoamento de grãos passará a ser feito majoritariamente pelo Norte do País. Obviamente, essa seria a solução para os congestionamentos que ocorrem na região Sudeste à época da safra do Centro-Oeste.

Por outro lado, é preciso avaliar bem se os terminais graneleiros que o governo federal pretende licitar na área da Ponta da Praia, no porto de Santos, terão em cinco ou dez anos a demanda dos dias de hoje. Afinal, as previsões indicam que até 2020 o Centro-Oeste deverá estar escoando 40 milhões de toneladas de grãos por ano. E a tendência é que esse escoamento seja feito por modal fluvial. O que é vê hoje é uma preparação para um rush em direção ao Norte, que só não ocorreu ainda por falta de ação do governo federal.

Mauro Lourenço Dias – engenheiro eletrônico, é vice-presidente da Fiorde Logística Internacional, de São Paulo-SP, e professor de pós-graduação em Transportes e Logística no Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). fiorde@fiorde.com.br
 

Compartilhe:
Operação de fulfillment do Grupo Posthaus reduz custos logísticos de marcas de e-commerce
Operação de fulfillment do Grupo Posthaus reduz custos logísticos de marcas de e-commerce
SimpliRoute convida profissionais de logística para contribuírem com estudo sobre o setor no Brasil
SimpliRoute convida profissionais de logística para contribuírem com estudo sobre o setor no Brasil
Mercedes-Benz lança novos caminhões Atego para operações mistas e fora de estrada na Agrishow 2026
Mercedes-Benz lança novos caminhões Atego para operações mistas e fora de estrada na Agrishow 2026
Ultracargo, Inpasa e PBio consolidam operação de exportação de biocombustíveis pelo Porto de Aratu
Ultracargo, Inpasa e PBio consolidam operação de exportação de biocombustíveis pelo Porto de Aratu
VLI investe R$ 80 milhões no Terminal Portuário São Luís, MA, e renova parceria logística com a bp
VLI investe R$ 80 milhões no Terminal Portuário São Luís, MA, e renova parceria logística com a bp
Velox investe em inteligência artificial para acelerar resposta aos sinistros do transporte de cargas
Velox investe em inteligência artificial para acelerar resposta aos sinistros do transporte de cargas

As mais lidas

01

JiveMauá conclui reestruturação da Sequoia com venda de ativo ao Mercado Livre e reposiciona operação como Flash Courier
JiveMauá conclui reestruturação da Sequoia com venda de ativo ao Mercado Livre e reposiciona operação como Flash Courier

02

MRS Logística e DP World criam solução logística multimodal para exportações do Centro-Oeste
MRS Logística e DP World criam solução logística multimodal para exportações do Centro-Oeste

03

Dalca implementa automação logística com robôs autônomos em unidade da Suzano no MS
Dalca implementa automação logística com robôs autônomos em unidade da Suzano no MS