RPA na cadeia de suprimentos: eficiência real, não tendência passageira

Por Paulo Pedroso*

Vamos direto ao ponto: se sua empresa ainda não usa RPA na cadeia de suprimentos, você está ficando para trás. Enquanto algumas companhias já automatizam seus processos logísticos, outras ainda insistem em fazer tudo manualmente, lidando com planilhas, sistemas desatualizados e retrabalho. Não é uma crítica, mas sim um alerta. Porque, no ritmo atual do mercado, quem não automatiza perde tempo, dinheiro e competitividade.

A boa notícia é que ainda dá tempo de iniciar. E dá para começar pequeno. A RPA (Automação de Processos Robóticos) não é um bicho de sete cabeças. E não é necessário automatizar toda a cadeia de uma vez.

Artigo RPA

A Coca-Cola, por exemplo, conseguiu reduzir o tempo de processamento de pedidos de cinco dias para uma hora. A HP cortou o tempo de gestão de estoque de 10 dias para apenas duas horas. Já a DHL automatizou a checagem de documentos fiscais e reduziu o tempo de remessa internacional em 40%.

E se não der certo? Se você continuar no manual, o que já está errado vai continuar: entregas atrasadas, estoque desatualizado, informações duplicadas, retrabalho… Enquanto isso, seus concorrentes ganham agilidade, precisão e margem para crescer. O que precisa ficar claro é que a RPA, hoje, é uma ferramenta acessível, escalável e adaptável à realidade de qualquer empresa.

Um estudo da Supply Chain Analytics mostra que a RPA aplicada à cadeia de suprimentos reduz riscos, aumenta a precisão dos dados e libera os profissionais para tarefas mais estratégicas. Em vez de perder tempo conferindo planilhas ou alimentando sistemas, sua equipe focará em planejamento, atendimento ao cliente e melhoria contínua.

Além disso, a RPA se integra a sistemas já existentes: ERPs, plataformas de transporte e sistemas de estoque. E com o avanço de tecnologias como IA e machine learning, o potencial de automatização só cresce. A automação já não é só “fazer mais rápido”. Agora ela prevê demandas, antecipa problemas e apoia decisões com base em dados reais.

Inclusive, de acordo com o Institute for Robotic Process Automation, empresas economizam entre 25% e 50% nas tarefas que a RPA executa. E o mercado cresce rápido: de US$ 6,16 bilhões em 2024, deve saltar para quase US$ 30 bilhões até 2032, segundo o Business Research Insights. Isso não acontece por acaso: é resultado direto dos ganhos de eficiência e redução de falhas.
 

Então, o que fazer agora?

  • Mapeie os gargalos manuais: comece por áreas como gestão de pedidos, controle de estoque ou rastreamento de entregas, por exemplo. Identifique onde o retrabalho é frequente ou erros impactam o cliente, e comece por aí.
  • Encontre um parceiro que fale a sua língua: o parceiro certo vai ajudar a identificar os melhores processos para automatizar, implementar de forma segura e, mais importante, integrar com seus sistemas atuais.
  • Implemente, teste e ajuste: a primeira versão pode não ser perfeita, e tudo bem. O importante é colocar pra rodar, acompanhar os resultados e fazer ajustes rápidos. Esse processo de melhoria contínua é parte da jornada de automação.
  • Mensure os ganhos: compare antes e depois: tempo de execução, erros, custos e impacto na equipe. Use esses dados para mostrar internamente os resultados e justificar a expansão para outras áreas.
  • Expanda com base no que funcionou: comece por onde o impacto for maior e a automação mais fácil. E, aos poucos, integre a RPA a outras tecnologias, como Inteligência Artificial e análise preditiva.
  • Capacite a equipe: a RPA não substitui pessoas, transforma o trabalho delas. Invista em treinamento, mostre os ganhos e envolva o time desde o início para garantir o sucesso.


A tecnologia está disponível e os benefícios são claros. Ficar parado agora é abrir espaço para que outros avancem. A RPA não é uma tendência, mas sim uma mudança estrutural. E quanto mais cedo você começar, antes colherá os benefícios.
 

*Paulo Pedroso, CTO da Kakau Tech – empresa brasileira reconhecida por sua inovação em tecnologia e que faz parte do Grupo Kakau. 

Compartilhe:
Fenatran 2026 reúne mais de 700 marcas e expõe os caminhos da transformação no transporte de cargas
Fenatran 2026 reúne mais de 700 marcas e expõe os caminhos da transformação no transporte de cargas
CSN reduz R$ 75 milhões em capital imobilizado em estoques com projeto desenvolvido pela GTPLAN
CSN reduz R$ 75 milhões em capital imobilizado em estoques com projeto desenvolvido pela GTPLAN
Primeiro computador quântico do Brasil chega ao Porto de Suape, PE, em operação logística da Movecta
Primeiro computador quântico do Brasil chega ao Porto de Suape, PE, em operação logística da Movecta
Caminhoneiro de Salvador vence a 32ª Gincana do Caminhoneiro e ganha Volkswagen Delivery Express
Caminhoneiro de Salvador vence a 32ª Gincana do Caminhoneiro e ganha Volkswagen Delivery Express
Pesquisa da Lalamove aponta que 76,4% das PMEs que usam IA relatam operações mais rápidas
Unilever inaugura seu primeiro Hub Logístico no Brasil, um dos mais automatizados da empresa no mundo
Unilever inaugura seu primeiro Hub Logístico no Brasil, um dos mais automatizados da empresa no mundo

As mais lidas

01

Diesel acumula alta de 5% em dois meses, enquanto gasolina cai em 20 estados, aponta ValeCard
Diesel acumula alta de 5% em dois meses, enquanto gasolina cai em 20 estados, aponta ValeCard

02

Scania lança o caminhão Super 11 litros com potências de 390 e 430 cv, para diferentes segmentos do transporte
Scania lança o caminhão Super 11 litros com potências de 390 e 430 cv, para diferentes segmentos do transporte

03

Insights Logweb - O movimento da semana de 26 a 30 de outubro
Insights Logweb – O movimento da semana de 26 a 30 de outubro