O crescimento das importações exige recintos alfandegados cada vez mais preparados

*Por Frederico Silva

O crescimento das importações brasileiras e o aumento da movimentação de cargas reforçam uma discussão que vai muito além dos números da balança comercial. À medida que o comércio exterior ganha dinamismo, cresce também a necessidade de uma infraestrutura logística capaz de acompanhar esse ritmo, oferecendo eficiência, previsibilidade e agilidade em todas as etapas da operação.

Os dados mais recentes confirmam esse cenário. Em abril de 2026, as importações brasileiras somaram US$ 23,61 bilhões, alta de 6,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o volume alcançou US$ 91,77 bilhões. Já a movimentação de cargas conteinerizadas no país atingiu 15,3 milhões de TEUs em 2025, crescimento de 10,2% sobre o ano anterior.

Esse avanço é positivo para a economia, mas também amplia os desafios da cadeia logística. Quanto maior o volume de cargas, maior é a pressão sobre portos, aeroportos e toda a infraestrutura responsável por garantir que essas mercadorias cheguem ao destino com rapidez e segurança. O desafio já não é apenas movimentar mais cargas, mas fazê-lo de forma inteligente, reduzindo gargalos e evitando que o crescimento das operações comprometa a eficiência do sistema.

É nesse contexto que os recintos alfandegados de zona secundária assumem um papel cada vez mais estratégico. Tradicionalmente associados à armazenagem, hoje eles desempenham uma função muito mais ampla dentro do comércio exterior. São estruturas fundamentais para desafogar as zonas primárias, dar continuidade ao fluxo logístico, ampliar a capacidade operacional e oferecer às empresas importadoras maior previsibilidade em suas operações.

Na prática, esses recintos funcionam como importantes pontos de conexão entre a chegada da carga ao país e sua distribuição para a indústria, o varejo e os centros de produção. Quanto mais integradas forem essas operações, menores tendem a ser os tempos de espera, os custos logísticos e os impactos provocados por congestionamentos nos principais gateways de entrada do Brasil.

Para atender essa nova realidade, entretanto, não basta ampliar áreas de armazenagem. Os recintos alfandegados precisam investir continuamente em infraestrutura, tecnologia e integração operacional. Processos digitalizados, gestão eficiente dos fluxos de transporte e armazenagem, além de equipes especializadas, tornaram-se diferenciais indispensáveis para absorver o crescimento das importações sem criar novos gargalos.

Outro aspecto importante é a capacidade de atender operações cada vez mais diversificadas. Cargas sensíveis, produtos de alto valor agregado, mercadorias com controle de temperatura e operações customizadas exigem estruturas preparadas para oferecer soluções específicas, sempre alinhadas às exigências dos importadores e da legislação aduaneira.

O recente avanço de iniciativas como o Fluxo Expresso no Trânsito Aduaneiro, ligando o Aeroporto Internacional de Guarulhos aos recintos alfandegados de zona secundária, demonstra que o próprio comércio exterior brasileiro caminha para modelos mais integrados e eficientes. Trata-se de um movimento que reconhece a importância desses recintos para aumentar a fluidez das operações e fortalecer a competitividade logística do país.

O crescimento das importações é um sinal da confiança do mercado e do fortalecimento das relações comerciais do Brasil com o mundo. Para que essa expansão continue de forma sustentável, será fundamental que toda a cadeia logística evolua no mesmo ritmo. Os recintos alfandegados já não são apenas locais de passagem de mercadorias: são estruturas estratégicas para garantir que o comércio exterior brasileiro continue crescendo com eficiência, segurança e capacidade de responder às demandas de um mercado cada vez mais competitivo.

*Frederico Silva, Head de Operações de Transporte da Libraport

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