O estresse no ambiente corporativo

22/04/2012

São constantes as pesquisas que mostram o quanto o nível de estresse prejudica a vida dos executivos. Embora o Brasil esteja em 30º lugar no ranking mundial de acordo com pesquisa do International Business Report (IBR), o índice saltou de 9% para 19% no último ano em São Paulo. O fato é que o ambiente corporativo exige profissionais brilhantemente competentes – o que os deixa ainda mais estressados.

As competências são diversas e englobam não só as técnicas, mas também as comportamentais. Ter experiência e saber fazer já não é mais suficiente. É necessário extrapolar as metas, ser simplesmente perfeito! Toda esta carga é literalmente de tirar o sono. Tanto que uma enquete da revista Você S/A, de abril de 2012, revela que 61% da população sofrem de insônia em decorrência principalmente de ansiedade e preocupações com o trabalho. 

Como o mercado é competitivo é natural que as empresas estabeleçam objetivos à altura e cabe aos gestores tomar medidas humanas para alcançá-las. As avaliações de desempenho baseadas nas competências da empresa revelam o que o profissional faz e em que nível.

A armadilha está em querer colocar foco naquelas que estão baixas ou tornar todas num nível elevado. Uma saída possível é ter as competências principais para a função bem mapeadas e acordadas entre gestor e liderado. Assim, o profissional tem maior clareza de onde colocar o foco para seu desenvolvimento. É papel do gestor não economizar em feedback adequado e motivador para que as rotas sejam corrigidas. 

A ansiedade tão experimentada ultimamente mostra quanta insegurança permeia a carreira do executivo. O perigo é que com toda a correria não se sabe ao certo o destino que se almeja – mal se tem tempo para almoçar! Fazer um check-up médico e ver os filhos crescendo é praticamente tarefa para o fim de semana. 

O medo de perder o emprego faz com que as pessoas liguem o piloto automático e sigam com a crença de que este é o melhor caminho, mas todos perdem com isso. Os filhos crescem, a saúde enfraquece, a realização se dissipa até que um dia outro ocupe o “seu lugar”. A empresa perde um profissional engajado. O gestor precisa correr atrás de um novo profissional. A equipe ao redor fica insegura. Os resultados já não estão tão certos. 

A grande questão está em ter o controle nas mãos. As competências que fazem a diferença neste momento são relacionamento e negociação. É dever de cada indivíduo ter sua meta de carreira definida, plano de ação bem desenhado e muitos planos de contingência. Deve-se acordar com seu gestor as expectativas, possibilidades de realização em capacidade e tempo. Vale lembrar que exigir além do real para uma pessoa pode ser caracterizado como bullying, uma violência psicológica. 

Não dá para o profissional delegar a responsabilidade de sua carreira – e muito menos de sua vida e felicidade – nas mãos da empresa. Também não dá para o gestor atribuir exclusivamente ao seu colaborador a responsabilidade de competências surpreendentes. 

Faz parte das atribuições de um gestor saber avaliar a condição para seu liderado executar uma tarefa, criar um ambiente favorável, oferecer ferramentas para que ele possa se desenvolver e reconhecer as evoluções conquistadas. 

À medida que cada parte assume sua responsabilidade é possível estabelecer metas justas e realizáveis. Ao se ter clareza do que é esperado e a partir do autoconhecimento fica mais fácil empregar energia em ações mais assertivas. A empresa é capaz de fazer a gestão adequada tendo cada profissional no lugar certo. E o gestor já pode se preparar para o próximo passo em sua carreira, afinal estará preparando o seu sucessor. Ambos, sem estresse, conseguirão desfrutar de uma vida pessoal e profissional muito mais saudável.

 

Mari Cordeiro – psicóloga e diretora executiva da M&S, consultoria especializada em desenvolvimento humano.

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