Muito além da TI

21/03/2011

O conceito de Gestão da Continuidade dos Negócios tem sido encarado com seriedade por empresas em todo o mundo. É cada vez maior o número de companhias que desenvolvem ações para garantir a disponibilidade de funções críticas para seus clientes, fornecedores e demais públicos. Mas, nesse período inicial de popularização do conceito, as empresas atribuíram a responsabilidade exclusivamente à área de Tecnologia da Informação – uma estratégia que está começando a mudar, por uma série de motivos.

No ano passado, o Chartered Management Institute fez uma pesquisa na Inglaterra, chamada “Disruption & Resilience”, mostrando que os departamentos de Recursos Humanos se tornaram a área que mais se envolve na gestão da continuidade dos negócios, ao lado das equipes de TI (que, até, lideravam a lista). Em todo o mundo, está havendo um crescente envolvimento múltiplo na gestão desses recursos críticos. A necessidade de envolver grupos específicos de diversas áreas varia de acordo com a natureza da organização, seu tamanho e seu campo de atuação.

Além disso, a atual descentralização da Continuidade de Negócios da área de TI também é reflexo da seguinte situação: soluções de continuidade oriundas de TI tendem a ser verdadeiros dinossauros em estruturas de datacenter alternativas e, na maioria das vezes, não incluem as necessidades de contingência das demais áreas de negócios. Ou seja: quando só a equipe de TI está envolvida na elaboração do plano de continuidade, muitos outros processos fundamentais para o funcionamento do negócio durante um evento não-programado podem acabar sendo ignorados.

Presencio até hoje casos no Brasil em que aplicativos deixam de ser e inseridos em planos de continuidade de negócios simplesmente porque não são utilizados pela área de TI. Para piorar, existem soluções específicas desenvolvidas internamente por cada departamento e setor (planilhas e bancos de dados de pequeno porte) que são esquecidas na hora de projetar um ambiente alternativo.

No contexto da Continuidade de Negócios, a área de TI e seu conhecimento técnico são de suma importância na busca de soluções que proporcionem o equilíbrio dos investimentos frente às perdas prováveis, com um planejamento minucioso para avaliar os riscos e se proteger de acordo com as vulnerabilidades existentes. Mas é preciso perceber que a continuidade de negócios evoluiu de um simples Plano de Recuperação para TI para um conjunto de ações coordenadas. Essas ações requerem gestão especializada, capaz de considerar sempre a manutenção dos Negócios mesmo na ausência de infraestrutura de TI por um breve período.
 
É válido salientar que a Alta Direção das empresas é a maior responsável pela manutenção dos seus serviços, fazendo com que suas equipes de negócio, riscos, conformidade, auditoria, segurança e tecnologia definam o que deverá ser feito para que uma empresa, em situações de crise, seja resiliente. Desta maneira, a Gestão da Continuidade do Negócio não será apenas uma disciplina estratégica e obrigatória para a boa gestão dos negócios, mas também um diferencial competitivo.


Cláudio Basso – Diretor de Consultoria da Sion People Center, tem 30 anos de experiência na área de TI, quatorze deles em Continuidade de Negócios e sete em Segurança da Informação. É integrante da ABNT/CEET (Comissão de Estudo Especial Temporária da Associação Brasileira de Normas Técnicas), voltada à elaboração de normas de Continuidade de Negócios.
luciane@capitalinformacao.com.br

 

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