Exemplos que vêm de fora

25/08/2013

Ao que tudo indica, em 2014, o Porto de Santos terá 11 terminais arrendados em dez instalações, que já são exploradas e cujos contratos de arrendamento estão prestes a vencer ou com prazo vencido, além de uma que será implantada. Se tudo correr bem, o Porto, com certeza, continuará a bater recordes de movimentação de carga.

Mas a pergunta que se impõe é: com os investimentos privados esperados, o complexo santista estará em condições de se rivalizar com seus congêneres chineses, norte-americanos e europeus? A resposta só pode ser negativa porque, a curto e médio prazo, o Porto de Santos não deixará de depender de caminhões para que a carga chegue e saia dos terminais.
E, mesmo que o gargalo representado por acessos viários deficientes seja superado com obras de infraestrutura, não haverá futuro para esse tipo de modal, ao menos em condições majoritárias. É o que se conclui quando se vê de perto a eficiência de portos como os de Xangai e Hong Kong, na China, Houston, nos Estados Unidos, Roterdã, na Holanda, e Antuérpia, na Bélgica.

Dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e do Banco Mundial mostram que, enquanto o Porto de Santos, responsável por 26% do comércio exterior brasileiro, movimenta 8 milhões de contêineres por ano, Hong Kong opera 23,7 milhões e Xangai 29 milhões. Já o custo para embarcar um contêiner em Santos está ao redor de US$ 2.215, ao passo que em Hong Kong sai por US$ 575 e em Xangai por US$ 560. Com isso, o preço do produto que entra ou sai do País fica bem mais alto do que na China. Esse pormenor é fatal em termos de competitividade.

Diante disso, a única saída que resta é investir cada vez mais em ferrovias e hidrovias, até porque em Santos há um grande potencial hidroviário pouco explorado e que pode atender a todo tipo de mercadoria. É de lembrar que esse sistema hidroviário já era explorado, nas devidas proporções, ao tempo do Brasil colônia no século XVIII, quando a carga descia a Serra do Mar em lombo de muares e era levada em barcaças de Cubatão até o porto do Valongo, em Santos.

Ao mesmo tempo, não se pode deixar de investir em serviços de dragagem porque quem acompanha as tendências mundiais sabe que os navios continuarão a crescer em tamanho e calado, exigindo cada vez mais profundidade dos canais de navegação. É o que se vê, por exemplo, no Porto de Houston, no Texas, que permite o escoamento com rapidez e custos baixos por uma infraestrutura logística multimodal. Esse porto opera 150 mil barcaças por ano, acompanhadas por um sistema de monitoramento em tempo real que permite a visualização e agendamento das embarcações. Sem contar que dispõe de uma malha ferroviária que atinge, praticamente, todo o território dos Estados Unidos e alcança o Canadá e o México.

Milton Lourenço – Presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). fiorde@fiorde.com.br.
 

Compartilhe:
INTRA-LOG Expo 2026 debate o futuro da logística e embalagens com megahub de eventos em São Paulo
INTRA-LOG Expo 2026 debate o futuro da logística e embalagens com megahub de eventos em São Paulo
Exitoinf integra seguros da 88i a sua plataforma SGPWeb, para proteção de encomendas
Exitoinf integra seguros da 88i a sua plataforma SGPWeb, para proteção de encomendas
Exportação de algodão do Grupo Bom Jesus ganha operação integrada entre Movecta e Magna Logistics
Exportação de algodão do Grupo Bom Jesus ganha operação integrada entre Movecta e Magna Logistics
Operação logística da MXP Transportes leva estações de tratamento de água de Sorocaba, SP, a Manaus, AM
Operação logística da MXP Transportes leva estações de tratamento de água de Sorocaba, SP, a Manaus, AM
Teka amplia sua estrutura logística com novo Centro de Distribuição de 6.000 m² em Nova Odessa, SP
Teka amplia sua estrutura logística com novo Centro de Distribuição de 6.000 m² em Nova Odessa, SP
Globalsat Group lança MOBICOM para ampliar conectividade via satélite no transporte
Globalsat Group lança MOBICOM para ampliar conectividade via satélite no transporte

As mais lidas

01

Benel investe R$ 45 milhões em novos veículos e equipamentos de transporte no primeiro semestre de 2026
Benel investe R$ 45 milhões em novos veículos e equipamentos de transporte no primeiro semestre de 2026

02

NDD lança hub logístico que integra 14 etapas da operação de embarcadores e transportadoras

03

Amazon abre 30 vagas no programa de trainees de operações em São Paulo, Amazonas e Rio de Janeiro
Amazon abre 30 vagas no programa de trainees de operações em São Paulo, Amazonas e Rio de Janeiro